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A GEOPOLÍTICA NO BRASIL

            Somente através de uma atenção geopolítica prioritária, constante e competente, um país continental como o nosso, consolidaria suas fronteiras. Pelo Tratado de Tordesilhas, assinado ao final do século XV, entre Portugal e Espanha, o território brasileiro seria da ordem de 1/3 do que é hoje. No decorrer dos três primeiros séculos de sua existência como território português, o novo povo que surgia se expandiu a oeste da linha de Tordesilhas, de tal forma que, na última metade do século XVIII, já construíra vários fortes delineadores de fronteiras muito próximas das atuais. Estas se confirmaram ao longo do século XIX e no início do XX, algumas vezes através de guerras violentas, mas sempre consolidadas por uma diplomacia arguta e oportuna. O título da curiosidade inaugural DS.Brasil, em 25/09/05, representa uma consagração geopolítica – O Brasil: o mais antigo dos grandes territórios mundiais. Ela é uma homenagem a portugueses e brasileiros pela estabilidade multissecular de nossa configuração territorial.

            A ocupação laboriosa de nosso território, espontânea ou não, foi sempre o principal instrumento de nossa expansão geopolítica. A 2ª curiosidade DS.Brasil sobre o assunto, em 25/06/06, consagrava a consolidação pacífica dominante em nossas fronteiras internas, através do sugestivo título – Os nossos estados têm história!... O presidente Juscelino construiu Brasília e abriu estradas que ligaram todas as regiões do país, usando a ocupação demográfica e econômica de espaços geográficos, como instrumento geopolítico. O mesmo fizeram os governos militares, nos anos 60-80, ao estimular a ocupação dos vazios amazônicos e das áreas pouco acidentadas dos cerrados. No decorrer das últimas décadas, os macroespaços brasileiros dos Cerrados e da Amazônia Sul-Oriental fizeram do Brasil, um dos celeiros mundiais. Daí, novas preocupações geopolíticas surgiram, agora, causadas por pressões conservacionistas de ONGs internacionais, nem sempre imunes às históricas tendências hegemônicas de seus países de origem.

            Essas novas pressões coincidiram com a democratização do país e a conseqüente perda de poder político das forças armadas brasileiras. Estas sempre constituíram um permanente e zeloso esteio da geopolítica nacional, e ainda constituem, apesar de subordinadas a um poder civil oportunista, face ao valor do voto de uma população fortemente condicionada por melhores condições de vida. Assim, apesar das ONGs internacionais e suas financiadas nacionais, gozarem de grande mobilidade nos altos escalões do poder regional e nacional, seu alcance geopolítico é muito mais circunstancial e midiático, do que real. Sempre que julgado perigoso por nossas forças armadas, o poder civil nacional se curvou aos condicionamentos geopolíticos militares. Assim, a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a demarcação da gigantesca Terra Indígena Raposa Serra do Sol obedece ao livre uso policial dos seus espaços, por razões de segurança nacional e de fronteiras; mas consagra limites prejudiciais à economia de Roraima: mais da metade deste território é ocupado por áreas protegidas sob administração federal. Fere-se aí, um princípio histórico essencial ao sucesso de nossa geopolítica interna.

            O nível de ocupação dos cerrados é alto, e seu sistema viário torna inútil qualquer esforço conservacionista com finalidades hegemônicas externas. Mas, na Amazônia, a coisa se complica, porque ela tem que ser desmatada para ser ocupada, e nós o fazemos, predatoriamente, sem respeito ao já cambaleante equilíbrio climático terrestre. Essa insanidade prejudica a negociação de soluções conservacionistas que beneficiariam a região e o país. O nosso estudo A Conservação da Natureza no Brasil aborda, em detalhes, estes assuntos e os analisados no parágrafo anterior, mostrando ser imperativa a união de todos os nossos cidadãos conscientes, no sentido de atenuar as controvérsias geopolíticas que nos cercam. Assim, conflitos institucionais internos nos impedem de praticar uma geopolítica otimizadora de nossos recursos de importância global - o nosso próprio povo e os pobres de todo o Mundo já estão sendo prejudicados pelas mudanças climáticas a caminho!...

            “A Amazônia é nossa e a pintaremos de roxo quando quisermos” não resolve: ela é nossa, sim, “pintá-la” é truculência! O oportunismo de ministros do MMA e de conservacionistas à caça de votos nos empobrece! A ambigüidade de ONGs internacionais e de suas prepostas alerta qualquer cidadão que conheça as posturas e técnicas geopolíticas tradicionais. Ignorar que o DS brasileiro passa, necessariamente, pelo desenvolvimento nacional, prejudica a todos nós!...

            Urge que voltemos a ser nação consciente de sua própria sabedoria geopolítica!!!....