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GESTÃO DE RECURSOS NATURAIS

 

SUMÁRIO GERAL

1- ASPECTOS FUNDAMENTAIS

1.1- Conceituando Gestão de Recursos Naturais – GRN

1.2- O público, o privado e suas fronteiras

1.3- Compartilhar recursos institucionais e tecnológicos!!!...

2- POSTURAS E PRÁTICAS GERENCIAIS INDISPENSÁVEIS

2.1- A gestão privada eficiente

2.2- A gestão pública transparente

2.3- A ecologia econômica como postura

2.4- Avaliação ambiental estratégica - AAE

3- DESAFIOS GERENCIAIS PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (DS)

3.1- Síntese executiva

3.2- Perspectivas para o século XXI

 

1- ASPECTOS FUNDAMENTAIS

1.1- Conceituando Gestão de Recursos Naturais – GRN

            O conceito de gestão ganhou especial ênfase nas sociedades tecnológicas, que aumentaram a produtividade humana, a níveis impensáveis, há poucas décadas. A miríade de inovações, hoje disponíveis para a eficiência no trabalho, exige maior capacitação daqueles que se candidatam a usá-las. A revolução cibernética, que nos trouxe a Era da Informação, trouxe também, a substituição do trabalho humano, no âmbito das rotinas operacionais: os automatismos tornaram o emprego não especializado, cada vez mais escasso. A gestão de pessoas autônomas e capazes tornou-se algo extremamente precioso; a gestão que inspira a criatividade é mais valiosa ainda. A Era da Informação tem transformado o império da vontade do consumidor uma realidade crescente, e a qualidade total, um imperativo para os que pretendem vencer, gerentes ou empresas. O líder, e não o gerente, é o que faz a diferença!!!...[1]

            A revolução cibernética trouxe para dentro de qualquer organização eficiente, novos conceitos decisivos para o sucesso de cada uma, sintetizados nas redes colaborativas, institucionais e/ou individuais, virtuais e/ou reais. O Mundo ficou menor, as trocas mais fáceis, as mudanças muito mais velozes, e os poderes criativo e destrutivo dos seres humanos, agigantaram-se. A globalização econômica tropeça, mas segue enriquecendo os que acordaram; e a globalização da sujeira já prejudica o Planeta Vida. O petróleo, o recurso natural estratégico exaurível mais importante, grande propulsor de tudo isso, já está se esgotando, e encarecendo tudo. O gás, que vem logo a seguir, também não durará por muito mais tempo. As tradicionais qualidades estratégicas de um gerente vencedor foram ampliadas, hoje, com a necessidade de que ele seja capaz de prever as repercussões sobre o sucesso do que dirige, das inevitáveis mudanças econômicas e políticas que ocorrerão no mundo dos recursos naturais. Certamente, um ônus a humanidade pagará por sua arrogância... Porém, para o gerente competente, tudo isso pode transformar-se em oportunidades. Estas serão bem maiores ainda, para o bom político dos trópicos!...[2]

            O parágrafo anterior não se refere somente ao escalão hierárquico superior das grandes instituições. Cada cidadão consciente do Mundo atual, já está diretamente envolvido com opções relacionadas com os recursos naturais. A decisão de escolher um veículo multicombustível ou não, já preocupa o brasileiro, apesar de poucos saberem alguns aspectos relevantes desta questão. Por exemplo: este veículo terá, inevitavelmente, eficiências diferentes para o álcool, e para cada um dos outros combustíveis que usarmos; será que isto está sendo considerado na decisão? Daqui a algum tempo, certamente estará, porque a experiência terá mostrado como esta avaliação é importante para a nossa escolha. O aquecimento terrestre poderá ser desastroso para os povos tropicais, principalmente os pobres; mas, apesar de todos se beneficiarem das práticas que o evite, continuamos sociedades caudatárias!... Na medida em que o Mundo se conscientizar das perversidades que aí ocorrerão, este assunto deixará de ser, somente econômico e político, para se estender ao âmbito da moral e da ética. Esta conscientização vem ocorrendo devagarzinho, mas sem retrocesso[3]! Nenhum gerente, de qualquer escalão, poderá ignorá-la: se não for como cidadão, será como líder, que tem que saber das coisas, para ser respeitado como tal!... Empatia e gestão... Inseparáveis!!!

            Os que sabem das coisas já perceberam que o desenvolvimento humano - DH estará, cada vez mais, limitado pela carência de recursos naturais. Os exauríveis, porque se esgotam, e os renováveis, porque já nos aproximamos dos limites deles, em várias situações relevantes para todos nós. O estudo As Funções Sociais da Natureza discute este assunto, com mais detalhes, a luz dos conhecimentos científicos e tecnológicos atualmente disponíveis; seu capítulo 1 e o quadro I são sínteses classificatórias destas funções, destacando as deformações que o consumismo humano já provocou no Mundo natural, e seus rebatimentos sobre a própria sobrevivência humana e sobre a vitalidade de nossas economias. Este estudo constitui uma referência para o presente estudo, pois se aprofunda, nos seus capítulos 2, 3 e 4, nos aspectos ambientais, econômicos, informacionais e políticos dos impactos humanos sobre os recursos naturais, e das carências decorrentes, sobre o bem estar humano. Foram-se os tempos da clássica economia dos recursos naturais ilimitados!... O presente estudo se integra ao estudo referido, e aos outros dois estudos conceituais já lançados, fechando o ciclo de estudos fundamentais DS.Brasil, visando o DS: o XXI: o Século do Desenvolvimento Sustentável mostra que o DS é tecnicamente viável, socialmente desejável, mas politicamente difícil, e indica sob que conceito ele se torna inevitável; o Anatomia das Decisões Humanas mostra como usar os instrumentos de tomada de decisão disponíveis, de modo a abreviar a conquista da sustentabilidade que beneficiaria a todos; o presente estudo complementa os outros três, mostrando como o gerente que vive na Era da Informação irá, forçosamente, aliar isto, ao seu próprio sucesso (ver nosso artigo O Desenvolvimento como Esperança).

            Em cada contexto da sobrevivência e do DH, podem-se identificar vários recursos naturais estratégicos. Em âmbito global, aí se classificam, certamente: i) o equilíbrio sistêmico atmosférico abalado pelo efeito estufa; ii) os solos cultiváveis resilientes de alta produtividade - SCURAP que têm que atender a uma população mundial crescente e mais exigente em proteínas; iii) o petróleo e o gás, que são os combustíveis de maior virtude entre todos os combustíveis fósseis, além de matéria prima da indústria petroquímica, com seu mundo de produtos práticos e baratos, mas poluentes; mas há outros mais nobres, como os fertilizantes nitrogenados, que ajudam a matar a fome da humanidade. Em âmbito regional, destacam-se os seguintes recursos naturais estratégicos: I) a água, que já faz falta para bilhões de pessoas, e está em sinergias negativas com 1/3 dos solos mundiais desérticos ou desertificáveis, e com várias outras causas de degradação dos solos, por mau uso antrópico; II) as boas reservas de fósforo, fertilizante indispensável para as culturas intensivas, não durarão por muitas gerações; a imensa maioria dos países carece delas, particularmente nas regiões de solos quimicamente pobres, que são dominantes nos trópicos; III) o potássio, outro fertilizante essencial, apesar de mais abundante do que o fósforo, também falta em grandes extensões de terras agrícolas, como no caso das que dominam nos nossos cerrados, um dos atuais celeiros mundiais; IV) vários minerais não ferrosos já escasseiam, ou estão próximos disto, a exemplo dos eternos minerais preciosos, como o ouro, a prata e a platina, mas também como o cobre e o mercúrio, tão úteis à indústria atual; V) a pesca já superou o limite de reposição de várias espécies de valor econômico, nos mais diversos tipos de ambientes aquáticos; VI) a poluição ambiental prejudica o desenvolvimento econômico, em muitos lugares, como na China e na Índia, os países mais populosos do Mundo. Em âmbito local, a biodiversidade e os ecossistemas naturais podem se tornar um recurso estratégico indiscutível, apesar das dúvidas que o sejam, regional ou globalmente; a diminuição do valor econômico dos recursos naturais locais tem motivado migrações da ordem de muitas dezenas de milhões de pessoas, anualmente, em todo o Mundo. E por aí vai[4]...

            O Brasil, tão decantado por suas riquezas naturais, é pobre em todos os recursos exauríveis listados no parágrafo anterior. Seus melhores solos são piores do que os bons solos mundiais dos climas temperados, ou os de clima tropical de origem vulcânica mais recente: necessitamos de importar muito fósforo e potássio para nos manter como um dos celeiros mundiais!... Destaque-se que os agronegócios são indispensáveis ao sucesso atual de nosso comércio exterior!... A esperança de sermos campeões mundiais em biocombustíveis, depende destes recursos, notadamente, do fósforo, indiscutível recurso estratégico nacional. Precisamos pesquisar muito, se desejarmos aproveitar, com segurança, os nossos recursos naturais abundantes. Os nossos gerentes e políticos conscientes dessas e de outras limitações naturais, têm muitos desafios, inclusive o de como otimizar o uso do que temos em abundância!...

            Sub-repticiamente, os parágrafos anteriores sempre destacaram dois grupos fundamentais de GRN: a privada e a pública. Elas se diferenciam, essencialmente, na extensão e complexidade de seus objetivos, o que simplifica a mensuração e a avaliação de resultados, no âmbito da gestão privada, e complica, no âmbito da gestão publica: o nosso verbete valor ilustra o assunto. Os rebatimentos gerenciais dessas facilidades ou dificuldades são analisados na seção a seguir, onde se incluem variadas nuances de enfoque entre os dois extremos citados; as sociedades atuais são muito complexas e diversificadas, para que se possa abordar, a sua gestão, apenas sob aqueles dois grupos de enfoques. A seção 1.3 destaca os papéis do Estado, das empresas e da sociedade civil em geral, na definição das referências para um gerente consciente, tanto em âmbito institucional, quanto no tecnológico: o compartilhamento se torna, aí, inevitável. As seções 1.2 e 1.3 demonstram que a distinção entre as posturas pública e privada é decisiva, sob o enfoque da GRN, e destacam como compatibilizá-las. A seção 1.1 do Anatomia das Decisões Humanas discorre sobre os contextos em que a mistura entre o público e o privado torna-se perigosa. Mas, no presente estudo, como naquele, sempre nos dirigiremos aos mocinhos; os bandidos são caso de polícia!...

            A GRN não é atributo exclusivo do gestor público, e nem o gestor privado deve se preocupar só com o meio ambiente ou com o suprimento dos insumos naturais que gere. As dificuldades com os recursos estratégicos, antes destacadas, apresentam sinergias negativas muito fortes, afetando, não só a disponibilidade e o preço de todos os bens e serviços produzidos, mas também a imagem das instituições e de seus responsáveis, perante o mercado e os eleitores. Não é possível separar os impactos ambientais, do uso perdulário da energia e de outros insumos naturais. E nem é possível separar o agravamento do efeito estufa e suas causas, da degradação dos solos, da perda de produtividade agropastoril em extensas regiões do Mundo, e da submersão de ilhas e de baixadas, populosamente habitadas. A sobrevivência de bilhões de pobres está ameaçada. Enfatiza-se, mais uma vez, que tudo isto não é só da alçada da gestão como planejamento estratégico, mas também dos escalões responsáveis pelos aspectos táticos e operacionais das empresas e de qualquer instituição consciente de Estado e da sociedade civil. O conceito de responsabilidade social corporativa – RSC está se tornando um relevante fator de competitividade, não só porque as democracias se difundem pelo Mundo afora, favorecendo os controles sociais, como manifestação organizada espontânea das sociedades, mas também, e principalmente, porque a Internet tornou a comunicação pública acessível a qualquer cidadão. Multiplicam-se as perdas das instituições que agem fora dos padrões desejáveis ao florescimento de uma sociedade tecnológica que se globaliza. Cada nó da rede, que faz o sucesso das instituições contemporâneas e de seus gerentes, é importante. A discriminação dos recursos escassos é causa de violência e de guerras, incompatíveis com o Mundo atual: as ações militares da ganância petrolífera dos ricos, no Subtrópico Afro-Asiático, e o crime organizado, nas grandes favelas brasileiras, são depoimentos vivos disto. Gerir é integrar!...[5]

            A reflexão cuidadosa sobre o conteúdo deste capítulo 1, ajudará o leitor a interpretar, adequadamente, os capítulos 2 e 3 seguintes, em toda a sua extensão. É importante um enfoque mais amplo e integrado da GRN, para que se evitem as visões parciais do assunto, sintetizadas na hipérbole da gestão ambiental, em detrimento do conceito abrangente do DS. Este enfoca a disponibilidade dos recursos naturais, tanto sob a ótica da parcimônia em sua demanda, quanto sob a ótica da violência, que discrimina os recursos entre os que podem e os que não podem. A sustentabilidade veio para ficar... E como diretriz gerencial prioritária do século XXI!!!

 

1.2- O público, o privado e suas fronteiras

            “O público opõe-se ao privado, enquanto o comum ao particular”: o público pressupõe alocação e/ou destinação comum a todos, refere-se ao coletivo, o que é do povo e para o povo; o privado refere-se à propriedade e ao uso particulares, de uma só pessoa ou de um grupo bem discriminado de pessoas[6]. O Estado desejável, como poder, concretiza o que seja público, e os indivíduos, as empresas lucrativas e suas associações corporativas traduzem o que seja essencialmente privado. Entre estes extremos, situam-se: i) vários grupos de agentes públicos, exercendo atividades privadas, como diversas autarquias, fundações e empresas públicas; ii) um número maior ainda de agentes privados, exercendo funções públicas, como inúmeras ONGs humanitárias, comunitárias, conservacionistas e de controles políticos; iii) as mais variadas associações entre os governos e o mundo privado, como as empresas estatais de capital aberto, e muitas outras parcerias público-privadas.

            Em âmbito internacional, as coisas se complicam mais ainda, porque, aos interesses privados tradicionais, acrescentam-se os interesses de cada Estado nacional, contrapondo-se ou não, ao interesse público planetário. A tragédia dos bens comuns agrava-se aí, por duas razões fundamentais, ambas em sinergias fortemente negativas: a) não há barreira internacional à propriedade, que limite abusos; b) o poder das nações hegemônicas prevalece sobre o interesse público, nas regiões militarmente frágeis, mas ricas em recursos naturais estratégicos. O meio ambiente, em qualquer caso, e o petróleo, no caso do Subtrópico Afro-Asiático, são exemplos disto, como destacado em nossa síntese sobre o assunto, no artigo A Tragédia dos Bens Comuns”!... [7]

            A figura I ilustra os curiosos desequilíbrios relacionados com as três normas gerenciais da ISO, o que resultou, para cada uma, diferentes evoluções técnicas, institucionais e mercadológicas; isto é uma fiel tradução do que se destacou nos parágrafos anteriores. Abordá-las, permitirá ao leitor, melhor situar-se sobre a importância das nuances dos aspectos públicos e privados da GRN, num Mundo global.

 

FIGURA I: NORMAS GERENCIAIS ISO

 

 

            A própria estruturação da ISO resulta de um original e admirável equilíbrio entre os interesses públicos e privados. Ela é uma ONG internacional, com voto paritário entre todos os países representados. Os representantes de cada país podem ser instituições de governo ou não, e as normas que promulga, são obtidas por consenso, sem nenhuma obrigação de respaldo institucional de qualquer Estado. As empresas privadas assumem especial relevância, no âmbito da ISO, porque a evolução tecnológica e o sucesso dos livres mercados estão entre os objetivos fundamentais desta instituição. O representante do Brasil na ISO é a ABNT, mas outras de nossas ONGs, e mesmo várias empresas brasileiras ou órgãos de governo, participam de um ou mais das muitas centenas de comitês técnicos ISO. Por ser uma prestigiada e importante rede participativa de amplitude mundial, o seu quadro permanente é mínimo, considerando a grande extensão, complexidade e vulto de seus trabalhos.

            A ISO surgiu da notável demanda por normas técnicas sobre produtos, que fossem respeitadas, em âmbito internacional, e satisfizessem as exigências crescentes de qualidade, segurança e outras virtudes do que fosse comercializado. Como a certificação da qualidade dos produtos que obedecem a normas técnicas conceituadas é dispendiosa, surgiram na Europa, normas técnicas e de gestão, que se aplicariam, não mais aos produtos, individualmente, mas sim, aos seus processos de produção. Isto inspirou a ISO 9000. O seu sucesso e difusão foram muito superiores ao esperado, pois as certificações correspondentes se tornaram diferencial de mercado. Vagarosamente, a famosa qualidade americana já não era mais suficiente para fazer a diferença, frente os certificados de garantia da qualidade, com base na ISO 9000.

            As normas de gestão sobre a qualidade ambiental e a eficiência no uso dos recursos naturais, também resultaram do pioneirismo europeu. Surgia, logo depois, a série ISO 14000. A mínima participação americana, na elaboração da ISO 9000, foi substituída por uma ativa contribuição de técnicos e instituições deste país, na elaboração da 14000: “gato escaldado tem medo de água fria”... O sucesso de mercado desta norma é bem menor do que a da 9000, e sua difusão, bem mais lenta. As normas ISO 14000 tendem a seguir as normas nacionais, desde que não conflitem com as normas internacionais existentes, adotadas em convenções, com efeitos de lei. Como os países em desenvolvimento não têm recursos ou sofisticação de mercado, que consagrem, ou façam cumprir leis ambientais mais exigentes... Pouca coisa aprovada na Rio-92 com efeito legal, foi específico o suficiente, para influenciar o consenso ISO, que se traduza em exigências para certificação. É a tragédia dos bens comuns em ação!... Como fazer cumprir as leis é um ato de poder, o governo americano prossegue inviabilizando o Protocolo de Quioto... Como o efeito estufa é desastroso para os pobres, mas contornável pelos ricos, configura-se aí, um caso típico da hipocrisia liberal, longamente abordada nas seções 2.2, 3.3 e capítulo 4 do Perfil Prospectivo dos Estados Unidos da América. O Princípio das Florestas da Rio-92 não tem força de lei, e por isto, a conservação da biodiversidade, pouco pode contar com a ISO 14000.

            O caso da ISO 26000 é bem mais complicado, porque envolve o interesse público das sociedades, mas este não é difuso por todas elas, uma vez que se refere mais aos interesses dos parceiros das empresas, e por quem é diretamente afetado pelo que se deseja normalizar. Comparem as normas de seguridade social e de segurança no trabalho, da Alemanha e da China!... Como obter consenso sobre qual delas ser adotada no âmbito da ISO?... A 26000 está em desenvolvimento, exclusivamente, porque será apenas indicativa de boas práticas, sem validade certificadora! Os contextos sociais internacionais são díspares, econômica e culturalmente, e suscitam interesses fortemente contraditórios, o que torna a ISO social um desafio, acarretando cuidados redobrados, para que ela não sirva como instrumento de deformação política dos ideais de livre mercado. Os trabalhadores dos países ricos querem que a China pague e trate o chinês, como eles são pagos e tratados; como os chineses querem emprego para sobreviver, e o dinheiro não sobra para refinamentos... Os idosos dos países ricos envelhecidos têm uma boa vida, mas pesam nos ombros da população ativa mais jovem; os idosos dos países pobres continuam trabalhando ou morrem mais cedo, porque seus filhos ganham pouco, ou não têm emprego!...

            Otimizar resultados, face aos contextos existentes, é uma postura gerencial indispensável a qualquer líder de sucesso. Os conflitos entre o público e o privado, e a natureza das redes de poder envolvidas, acarretam uma miríade de comportamentos gerenciais otimizadores, com diferentes níveis de persuasão, violência e participação. Por isto, este assunto tornou-se recorrente em todos os estudos DS.Brasil; ele foi abordado, sistemicamente, em seus aspectos fundamentais, nas seções 3.1, 3.2 e 4.1 do XXI: o Século do Desenvolvimento Sustentável, e 1.1, 2.2, 3.3, 4.1, 4.3 e 4.5 do Anatomia das Decisões Humanas. A postura avaliatória é essencial ao sucesso de qualquer gestão: do planejamento, em todos os seus níveis, até à operação e seus controles. Não se otimiza sem avaliar. As dificuldades na identificação e medição de valores gerenciais transparentes tendem a crescer, do privado para o público, do individual para o coletivo, das decisões isoladas, para as decisões compartilhadas.

            Uma empresa privada tem que satisfazer aos seus donos ou acionistas, e a rentabilidade do capital investido por eles, é um indicador importante nesta avaliação: seus gerentes, fundamentalmente, têm que estar atentos a isto. As associações corporativas têm que satisfazer os interesses de seus associados, sempre claramente identificados nos estatutos sociais respectivos; a sua gestão será medida pela eficiência econômica com que estes objetivos foram alcançados; isto, como referência avaliatória, pode ter menos consenso do que a rentabilidade de uma empresa privada, mas não é de difícil qualificação, numa assembléia geral de interessados. As empresas privadas e as associações corporativas, por terem em comum, a natureza privada estrita de seus objetivos, e por facilitarem, o desenvolvimento de posturas gerenciais avaliatórias e otimizadoras, serão abordadas, em conjunto, na seção 2.1 do próximo capítulo. O Estado e as ONGs humanitárias, conservacionistas e de controles políticos, caracterizam-se pelo interesse público dominante de seus objetivos institucionais; por isto, serão objeto de abordagem comum, na seção 2.2. A seção 2.3 é dedicada à gestão conservacionista, em situações de conflito, destacando-se entre elas: i) a das ONGs bem intencionadas, pelas inevitáveis influências que recebem de poderes hegemônicos diversos; ii) aos gerentes, cuja opinião conservacionista seja, institucionalmente, minoritária. Destaquem-se as semelhanças entre as seções citadas, e os desequilíbrios da figura I, justificados nos parágrafos anteriores. As AIAs, como apreciadas em 2.4, são instrumentos de gestão cidadã, em qualquer lugar do Mundo. O mesmo vale para o capítulo 3, que encerra o presente estudo. Os demais casos, inclusive os de gestão coercitiva ou aliciatória, serão analisados, eventualmente, como complemento importante aos assuntos abordados, ou como ilustração oportuna sobre eles.

            Os recursos tecnológicos e institucionais são referências gerenciais obrigatórias, e serão tratados a seguir, pois, identificar e lidar, com os que sejam decisivos, são prioridades para atenuação dos problemas que surjam, no decorrer da incessante busca por otimizar, imperativo de uma GRN competente!...

 

1.3- Compartilhar recursos institucionais e tecnológicos!!!... [8]

            Instituições e tecnologias são recursos que se realimentam, positivamente, como fundamento da formidável transformação que os recursos humanos são capazes de realizar, a partir dos recursos naturais disponíveis. Inovações institucional e tecnológica sempre caminharam juntas, ou em decorrência uma da outra, nas sucessivas revoluções iniciadas, há pouco mais de cinco séculos, com a difusão da imprensa. Os recursos antropogênicos, em permanente evolução, viabilizam o DS, em sua dimensão recursos, pois não há restrições tecnológicas ao uso parcimonioso dos recursos naturais disponíveis, que continue promovendo o DH. As limitações ao DS concentram-se na sua dimensão conflitos, como resultado da discriminação dos recursos naturais escassos, garantida por instituições, que perpetuam a ganância dos poucos que se locupletam, em detrimento da imensa maioria dos excluídos, que se desesperam.

            Mas o contexto tecnológico atual desfavorece este cruel desequilíbrio de poder. As democracias se difundem, e a rede eletrônica mundial está chegando para todos, o que tem revelado a máscara de opressão internacional, representada pelas democracias hegemônicas. Não há mais espaço para a arrogância daqueles que, em nome da liberdade, fazem a guerra por recursos naturais, e mantêm governos títeres, que espoliam seus povos, motivando o terrorismo islâmico[9]. A cidadania segue cambaleante nos países da América Tropical, herdeiros do patrimonialismo ibérico, mas já produz efeitos em vários deles, como no Brasil, às voltas com o seu patotismo histórico-cultural. Trata-se de uma região muito rica em recursos naturais, mas sua elite caudatária, sempre preferiu comprar tecnologias, ao invés de desenvolvê-las. É um tremendo contraste com os países confucianos, que, há séculos, pacificados por uma consciência cidadã, adormeceram; mas, tão logo despertaram para o Mundo das informações sem fronteiras, rapidamente tiraram ou vêm tirando os seus atrasos. Recursos institucionais milenares favoreceram, aí, o compartilhamento de tecnologias externas, em sinergias, que os tornaram líderes do saber, nos mais variados setores dinâmicos da economia atual. Comparem esta postura pró-ativa, com o negativismo de nossas patrióticas campanhas, como o petróleo é nosso e a biodiversidade é nossa, e os cartórios nacionais das altas tecnologias, que nunca chegaram lá.

            A Era da Informação está apenas se iniciando, mas já demonstrou que, compartilhar, é o menor caminho para convergências criativas e pacíficas, que solucionem as diferenças de interesses entre o público e o privado. As leis e normas que fundamentam os recursos institucionais dos Estados, e presidem o funcionamento de sua máquina, são contextuais, mas recebem influências diretas do sucesso de outras experiências, frequentemente reforçadas pela opinião consensual de técnicos, obtida em oficinas, congressos e outras reuniões participativas, nacionais e internacionais. As empresas, ONGs e a própria população também participam delas. Vivemos o Mundo da Web 2.0, que construiu a maior enciclopédia de todos os tempos, a Wikipedia, através da participação de centenas de milhares de colaboradores independentes e voluntários, sem coordenação, com precisão próxima das congêneres tradicionais, em muitas línguas, e em pouco mais de 5 anos!... A Web 2.0, das empresas transnacionais inovadoras, que buscam inspiração e desenvolvimentos, junto aos pesquisadores e laboratórios da comunidade internauta, e diminuem os seus custos com isto!!!... A Web 2.0, que acabou com a conferência da OMC, em Seattle, através de uma anárquica, mas bem organizada reunião, que congregou dezenas de milhares de participantes, ao vivo, vindos de todos os cantos do Mundo, em apenas algumas semanas. A Web 2.0, que vigia as democracias, mas dá voz ao terrorismo furtivo dos que se unem, inspirados pela espoliação dos ricos arrogantes e incompetentes. A Web 2.0 que mostra isto, e liquida arrogâncias!!!...

            As normas técnicas, em qualquer setor das atividades humanas, de produto ou de práticas institucionais eficientes, resultam de compartilhamentos de saberes e experiências. A respeitável ISO, que serviu de pano de fundo para a nossa seção anterior, é uma depoimento vivo do sucesso de um compartilhamento internacional: suas normas e prescrições são respeitadas em todos os países do Mundo, ao longo de toda a gradação, entre o público e o privado, e convivem, em harmonia, com diferentes posturas normativas nacionais. A nossa pioneira ABNT é um notável exemplo de compartilhamento exitoso: é uma entidade privada, respeitada por todos, num país em que o Estado se apropria de tudo aquilo que diz o que os outros têm que obedecer. Os capítulos 2 e 4 do Anatomia das Decisões Humanas analisam, em detalhes, os principais contextos decisórios, que envolvem o DS e suas dificuldades, demonstrando ser, a decisão compartilhada, uma postura inevitável para qualquer gerente ou instituição de boa fé, que tenha compromissos públicos. O quadro I, a seguir, sistematiza o assunto, em seus aspectos gerenciais; dele, não nos separaremos, até o final deste capítulo.

 

QUADRO I: COMPARTILHANDO RECURSOS INSTITUCIONAIS E TECNOLÓGICOS

ATIVIDADES

DESTAQUES GERENCIAIS

DIRETRIZES E REFERÊNCIAS

Todos os sistemas de normas, leis e tecnologias que interessam uma dada instituição, nos âmbitos setorial, local, regional, nacional e internacional, devem ser acompanhados, por seus gerentes, atenta e participativamente. Viabilizam-se, assim, intervenções técnicas e institucionais oportunas, que facilitem otimizações típicas dos livres mercados, e que garantam a sustentabilidade dos recursos naturais estratégicos para todos os parceiros institucionais envolvidos. As pequenas e médias instituições devem buscar escalas, através de associações corporativas, onde sejam ouvidas. Qualquer instituição deve apoiar os controles sociais de interesse público, em cuja causa acreditem, porque, assim, eles ampliarão o poder político e de mercado da própria instituição, e de toda a sua rede compartilhada. As parcerias diretas, com o público em geral, devem constituir ênfase permanente.

MONITORAR E CONTROLAR

A prioridade maior de qualquer instituição está no apoio que recebe de seus parceiros, iniciando pelos que são, direta ou indiretamente, relacionados com os resultados destas atividades; eles devem ser motivados ao monitoramento e ao controle do que lhes toca, através de uma postura permanente de vigilância pró-ativa. Mas, na Era da Informação, o público em geral tem que ser ouvido, pois os recursos tecnológicos de comunicação em rede disponíveis viabilizam, desde os contatos virtuais diretos com os escalões superiores da instituição, passando por comunidades específicas de vigilância pró-ativa criadas por eles, até comunidades mais amplas. A certificação de produtos e processos tem se tornado um crescente diferencial de mercado, indispensável aos desejosos de sucesso mais sólido e/ou amplo; o fato da certificação ser relativamente cara, no caso de produções em baixa escala, pode ser contornado, através de arranjos locais ou cooperativas de produção. O Estado, em diversos países do Mundo, inclusive o Brasil, preocupa-se em viabilizar tais instituições.

OPERAR

Os formidáveis avanços da logística e das redes de comunicação diminuíram custos, abreviaram prazos e encurtaram distâncias, como nunca imaginado, no âmbito da economia e da política. Com isto, a terceirização, velho recurso institucional, renovou-se, através das parcerias em rede, em que cada parceiro faz o que ninguém faz melhor, num Mundo competitivo. As cadeias de produção e demanda ampliaram-se, e se tornaram globais. Até as microempresas de clientela local não escapam disto!... As vendas pela Internet crescem, vertiginosamente, e o mesmo ocorre com o teletrabalho, em casa, ajudado pelas empresas de logística, que realizarão as entregas eventuais ou sistemáticas que ocorrerem. Estas empresas centralizam encomendas, velozmente, viabilizando frotas especiais de aviões, que entregam, por exemplo, nos EUA, o que foi encomendado na China, através do telemarketing da Índia; se você quiser esperar, e pagar mais barato, um dos seus navios se encarregará disto!... Ver outras situações, em 1.3 do Anatomia das Decisões Humanas.

INOVAR

O compartilhamento da inovação, em tecnologias institucionais, é muito diferente do relativo às tecnologias fundamentadas na física, química ou biologia. Nestes casos, a proteção à propriedade de criação é mais fácil de ser obtida e respeitada, e os investimentos envolvidos em P&D são específicos e muito maiores. Por isso, o compartilhamento dos recursos institucionais criados é mais fácil, e se dá de várias maneiras: a) através da permanente troca de idéias entre gerentes e estudiosos, vinculados às atividades onde as inovações surgiram; b) a publicação dos resultados, na mídia, o que é, muitas vezes, um motivo de orgulho gerencial e institucional; c) em reuniões formais ou não, virtuais ou fortuitas, sempre que o sabor da novidade enriqueça o contato. Nos demais casos, distinguem-se dois contextos bem distintos: i) as inovações estritamente científicas, sem interesses econômicos imediatos, difundem-se através de publicações e/ou apresentações em congressos tradicionais, facilitando o compartilhamento; ii) no âmbito das tecnologias de produtos comercializáveis em condições competitivas, o compartilhamento se complica. Vencer este desafio transcende o âmbito das empresas, por resultar de um complexo de sinergias, que envolve dedicação individual, tradição empresarial, escalas de mercado e de capitais, centros de conhecimento capacitados, postura de Estado e a própria cultura de um povo. Este é um desafio que poucas sociedades venceram. Em qualquer caso, como “quem não arrisca não petisca”, nada como um gerente perspicaz, servindo-se de todas as facilidades que a Era da Informação dispõe. A nossa lei da inovação busca facilitar parcerias, entre quem precisa e quem sabe: conhecê-la, é obrigação de qualquer brasileiro que sabe das coisas!!!...

 

            Nos países democráticos tradicionais, as leis e normas específicas sobre os recursos naturais, concentram-se sobre o meio ambiente, com destaque para o uso e a qualidade do ar, das águas e dos solos, e sobre as normas e controles setoriais. Entre estas, no que interessa à GRN, destacam-se: i) as relacionadas com os setores primários da economia; ii) as normas e controles dos setores de energia e infra-estrutura, que estão, em muitos países, inclusive o Brasil, sob a responsabilidade das Agências Nacionais Reguladoras. Sobre o meio ambiente e os setores primários, os nossos verbetes legislação ambiental e hierarquia das leis podem servir como referência para o leitor se situar nos principais aspectos legais e institucionais brasileiros sobre o assunto, guiando-se através das sucessivas conexões institucionais destacadas em cada verbete consultado. Além deste passeio guiado pelo nosso glossário, o DS.Brasil tem, a complementar, sobre o texto do quadro I:

            - Enfatizem-se as seguintes referências normativas internacionais: as convenções assinadas na Rio-92, e as conferências das partes a elas relacionadas; algumas convenções e acordos na ONU sobre poluição e resíduos perigosos (Estocolmo-72, Basiléia e Protocolo de Montreal); as declarações e convenções da ONU, sobre direitos humanos; a ISO. Face às limitações de normas consensuais sobre o uso dos recursos florestais mundiais, como destacado em 1.2 anterior, o gerente que se interesse pelo assunto, deve conhecer as normas do Forest Stewardship Council, que também credencia certificadoras florestais, respeitadas nos mercados de vários países, especialmente os desenvolvidos.

            - O credenciamento de certificadoras varia de acordo com os sistemas normativos e institucionais existentes em cada país. No Brasil, o INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, é o único órgão que tem esta função, além de ser o órgão executivo central do Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – SINMETRO; este congrega todas os matizes de instituições públicas e privadas. A ABNT é o único foro nacional de normalização, no âmbito do SINMETRO, além de ser a representante brasileira na ISO e em outras instituições normativas internacionais, relevantes ao interesse do país. Várias instituições setoriais, públicas e privadas, promovem normas técnicas e institucionais no Brasil, que somente subirão de valor, na hierarquia de nossas leis, ao se integrarem ao SINMETRO, e se harmonizarem com a ABNT.

            - O Brasil possui primorosa legislação ambiental, e o SISNAMA estende os seus controles a todas as unidades político-administrativas da federação. As capacitação e seriedade profissionais dos agentes SISNAMA variam muito, o que obriga o Ministério Público agir em defesa do bem comum, em diversas situações pouco honrosas para as instituições públicas envolvidas: a corrupção no SISNAMA favorece o comportamento aliciatório de gerentes menos conscientes de sua RSC. A nossa sociedade já possui maturidade para reconhecer o valor daqueles que compartilham com ela, o ambiente de todos nós. Essas deformações institucionais aumentam a importância de qualquer GRN no país, especialmente na busca por prescrições e usos mais adequados dos instrumentos de política antipoluição e das mitigações ambientais, que permitam o próprio mercado ajustar-se, livremente, sem a necessidade de exposições perigosas, sob o arbítrio da autoridade pública e o interesse privado furtivo.

            - A nossa lei da inovação, a do saneamento básico, o Estatuto da Cidade, a lei 11079/2004 das parcerias público-privadas, a lei das ONGs de interesses público - as OSCIP, constituem um conjunto sistêmico e muito bem concebido, do ponto de vista do compartilhamento operacional e da inovação de que necessitamos. O problema está em nossa máquina de Estado, viciada pelo nosso patotismo histórico-cultural, que se agravou com as facilidades propiciadas pela nossa constituição cidadã. Hoje, as nossas carências gerenciais de recursos institucionais e tecnológicos encontram, nas Instituições Científicas e Tecnológicas – ICT e seus técnicos, um formidável celeiro de parcerias transparentes, fomentadas com recursos públicos. Contornar o nosso patotismo, através de parcerias inovadoras, ficou mais fácil: depende só de um gerente hábil e bem intencionado, e de um projeto motivador!!!

            - Nos países desenvolvidos, a formulação de normas técnicas, e o próprio texto delas, é uma oportunidade para o aprendizado pelo compartilhamento. Uma norma técnica é fruto de muita meditação e otimização de interesses, e há muito que aprender, com cada uma. O mesmo se dá com as autoridades fiscais competentes, e que tenham espírito cidadão. O Brasil já possui massa crítica institucional e tecnológica que viabilize a inovação, pelo aprendizado do que já se fez, e do que as normas prescrevem que se deva fazer. As autoridades devem ser parceiras neste aprendizado, e não cobradores implacáveis. Elas são gerentes da coisa pública, e os gerentes da coisa privada, só têm a ganhar, com o diálogo transparente com elas, em que as razões técnicas, econômicas e sociais prevaleçam, conciliatoriamente, de acordo com as peculiaridades de cada contexto. Os rejeitos líquidos, de qualquer fábrica de papel e celulose, podem ser catastróficos, no rio Paraíba, mas benéficos, no rio Amazonas!... A GRN competente exige isto: compartilhar sempre os recursos institucionais e tecnológicos disponíveis!...

            Adotar normas universais sobre o uso dos recursos naturais, num país em que a maioria do povo luta para sobreviver, é desejo dos que querem continuar, usando sozinhos, os recursos naturais que consomem. O DS tem que ser enfocado como evolução, e os pobres são os seus beneficiários, e não, as suas vítimas! A constituição brasileira propicia esta interpretação, e cada gerente competente, seja da coisa pública ou da privada, tem que analisar, em cada contexto, a pertinência das normas existentes sobre o uso dos nossos recursos naturais, dentro da hierarquia de nossas leis, onde a constituição é a cúpula. As generalizações de nossas leis sobre recursos naturais são frutos de um autoritarismo arbitrário, que “cria dificuldades para ganhar facilidades”. Num país continental como o nosso, e com os contrastes e as deformações sociais como as nossas, compartilhar é sinônimo de contextualizar. E aí, prevalece a nossa constituição cidadã, nos seus títulos I, II e VIII. No Brasil, ela é um guia indispensável à GRN, a fim de que se evitem arbitrariedades sobre a interpretação de nosso imenso emaranhado de leis, normas, regulamentos, e controles, que alimentam o patotismo, a má fé e a incompetência!!!...

            O Estatuto da Terra é um formidável instrumento de planejamento territorial, tanto no âmbito privado, quanto no público. Ele e a nossa constituição, se fossem obedecidos, poupariam conflitos inúteis, como os que sustentam o Movimento dos Sem Terra – MST, e as ações predatórias na Amazônia. E nem justificariam o vivo antagonismo, entre os interesses privados da ganância, e o zelo suspeito das ONGs, que lutam por generalizações inviáveis, como as reservas legais de 80%, por toda a região. Os zoneamentos ecológicos e econômicos previstos em nossa legislação, mas nunca efetivamente cumpridos, estão entre estes pretensiosos instrumentos de gestão territorial generalizadores: eles se cumprem, onde não há acessos, e não se cumprem, onde há... Só as grandes bacias e os sistemas viários e redes energéticas regionais, justificam um planejamento em macroescala!... O resto é ruído. Enfatizarmos os planos diretores municipais, e o seu compartilhamento, será mais útil a todos nós!... Estes planos afetam todas as instituições locais, e a imensa maioria de seus parceiros próximos!... Constitui prioridade de uma GRN competente, participar da evolução destes planos, e estimular seus parceiros a isto, especialmente no apoio à participação deles, nas audiências públicas obrigatórias, onde reforcem a defesa de normas e prescrições, que amenizem atuais ou futuras distorções econômicas, sociais ou ambientais.

            A confusão entre o público e o privado, no âmbito do Estado brasileiro, nos faz ser o eterno país do futuro. Mudar isto, está nas nossas mãos, afinal, vivemos numa democracia!... Algumas idéias sobre este assunto, o DS.Brasil desenvolveu em suas sugestões sobre um Projeto Brasil do Brasileiro. A nossa riqueza natural é imensa, e pode nos transformar no país do agora. Gerir é liderar!... A GRN é muito mais ampla do que parece... Continuaremos com esta tese, até o fim!...

 

2- POSTURAS E PRÁTICAS GERENCIAIS INDISPENSÁVEIS

2.1- A gestão privada eficiente

            Esta seção objetiva analisar os aspectos essenciais à GRN, no âmbito estritamente privado dos interesses individuais, institucionalizados ou não, em organizações com finalidades lucrativas ou classistas. Serão destacadas as empresas de capital dominante privado. A abordagem das empresas estatais, mistas ou públicas, nesta seção, será apenas marginal; elas serão analisadas, como instrumentos de governo, na seção 2.2 seguinte. As associações classistas e os indivíduos, como agentes econômicos, terão suas peculiaridades relativas à GRN apontadas, ao longo do texto a seguir, sempre que oportunidades esclarecedoras e relevantes, surgirem. Para um melhor entendimento do presente capítulo, recomenda-se a leitura do anterior.

            A GRN empresarial é objeto de destaque funcional e hierárquico, em todas as empresas dos setores intensivos em recursos naturais. As boas empresas de projetos industriais e de engenharia, apesar de não serem intensivas em recursos naturais, estão, gradativamente, institucionalizando posturas formais de GRN, em seus contactos com os clientes, e em suas especificações técnicas de projeto. Os princípios da arquitetura verde ganham espaço entre estas empresas, e, vêm ganhando expressão, nos mercados imobiliários mais sofisticados. As bolsas de valores já sentiram certas imposições do mercado acionista, e buscam sinalizar isto, através de indicadores especiais, o ISE, no caso da Bovespa. Parcela considerável dos grandes indústrias exportadoras brasileiras, intensivas em recursos naturais, buscam se adequar às normas ISO 14000, por exigência dos mercados consumidores.

            Mas tudo isso, não pode ser superestimado! Qualquer empresa saudável tem que ser eficiente, e este é um conceito que deve ser cuidadosamente interpretado, em qualquer atividade complexa!... Por isto, apresentamos o quadro II, a seguir, que destaca os principais aspectos para um enfoque sistêmico e ordenado, da eficiência empresarial. Os resultados obtidos, em cada gerência da empresa, são integrados, e coerentemente analisados, através de uma permanente postura avaliatória, que visa o desempenho desejado por unidade estratégica, e para a empresa como um todo. Os destaques do quadro II variam com a natureza, o porte e a complexidade da produção ou das cadeias da produção e demanda – CPD de cada empresa e seus variados produtos, centros de negócios, amplitude e diversidade de mercados. A eficiência da empresa resulta de um conjunto de ações sistêmicas, coerentes com um planejamento estratégico unificador, que visa satisfazer as expectativas de seus investidores e demais parceiros.

 

QUADRO II: POSTURAS AVALIATÓRIAS ESSENCIAIS À GESTÃO EMPRESARIAL[10]

FOCO

DESTAQUES GERENCIAIS

FINANCEIRO

Para a empresa como um todo, e para cada uma de suas unidades estratégicas, buscar: i) fluxos de caixa equilibrados e sem riscos incontroláveis; ii) evolução binômia - rentabilidade e risco - setorialmente atrativa, e satisfatória para os seus parceiros, especialmente para os que nela investiram; iii) valores esperados lucrativos para uma eventual venda de negócios.

MERCADO

Evolução dos preços e receitas compatíveis com os resultados financeiros desejados, e de acordo com a maturação dos produtos no mercado: valores crescentes para os produtos novos; estável para os produtos maduros ou tradicionais, e ligeiramente cadentes, para os produtos em senescência. Consolidação dos mercados conquistados, compatível com as estratégias de conquistas de novos clientes e novas fatias de mercado. Nível geral de satisfação da clientela, coerente com o produto atualmente oferecido, e de acordo com o programa de qualidade total para ele, adotado pela empresa. Evolução satisfatória de latências e manifestações de mercado, indicando novos nichos e novos produtos, como oportunidade de melhoria para o sistema empresa.

PRODUÇÃO E LOGÍSTICA

Evoluções das capacidades/resiliência, eficiências/produtividades/margens, estoques/prazos/atrasos, qualidade/defeitos/devoluções, coerentes com os resultados desejados sob os enfoques financeiros e de mercado. Permanente avaliação dos componentes de toda a CPD de cada produto, visando à melhoria desses parâmetros, incluindo a escolha de novos caminhos na rede de produção da empresa, através de compartilhamentos enriquecedores.

RECURSOS HUMANOS, INSTITUCIONAISE INOVAÇÃO

Este grupo constitui o capital intelectual da empresa, e não pode ser analisado, separadamente, face às inevitáveis sinergias que eles mantêm com os recursos tecnológicos acumulados pela empresa, que pouco representam sem elas. A melhor maneira de avaliá-los é através da análise evolutiva dos seguintes destaques: i) satisfação das necessidades funcionais estratégicas da empresa, tanto em âmbito do planejamento, com no âmbito decisório e no da P&D; ii) melhoria do nível de conhecimento dos parceiros, por iniciativa deles mesmos e da própria empresa; iii) evolução da rotatividade do pessoal ligado à empresa, nos níveis estratégico, tático e operacional, e nos níveis de conhecimentos funcionalmente interessantes à eficiência sistêmica de cada unidade estratégica da empresa, de cada uma de suas CPD, e de seu todo; iv) evolução das parcerias e/ou dos investimentos diretos em equipamentos, dispositivos e sistemas de apoio à P&D; v) evolução das inovações realizadas no âmbito das tecnologias de gestão, produtos e processos, e seus resultados, sob qualquer dos focos já destacados.

SOCIO-AMBIENTAL

Evolução comparativa das diversas unidades estratégicas da empresa e de cada um dos seus produtos e processos, face às exigências legais e as de mercados sobre RSC e sobre a GRN.

 

            Os economistas liberais clássicos consideram apenas duas obrigações essenciais às empresas: satisfazer os que nela investem, e cumprir a lei. O resto, a mão invisível do mercado controla, o que ainda é uma utopia, pois a mão invisível, só funciona como deve, nos mercados onde não há dominância de espécie alguma. O quadro II reflete a situação atual de uma empresa competitiva, sediada nas sociedades tecnológicas atuais, que enriqueceram pelo trabalho de sua gente, sem proteções externas hegemônicas. Nos países em desenvolvimento, onde se inclui o Brasil, fora o foco financeiro, como imperativo dos donos e/ou acionistas, as práticas avaliatórias variam muito: na medida em que aumenta o aspecto difuso do interesse público, cresce também a heterogeneidade dos comportamentos empresariais. Por exemplo, no âmbito socioambiental, apesar de nossas bem intencionadas leis: a) mais da metade da população ativa brasileira não possui carteira de trabalho assinada; b) a quase totalidade dos nossos rios, em regiões urbano-industriais, está fortemente poluída; c) os nossos recordes mundiais em desmatamento nos prejudicam e nos envergonham. Por outro lado, por imposição de mercado, e até por motivos éticos, o número de empresas brasileiras, com certificado ISO 14000, já se aproxima do milhar!... Estão sendo criadas muitas RPPN pelo Brasil afora, e milhares de empresas obedecem a algum padrão de emissão por poluente, em áreas onde o SISNAMA age com maior transparência e coerência econômico-social.

            Como as empresas buscam otimizar sua eficiência econômico-financeira, não há como exigir, de qualquer delas, sacrifícios espontâneos, que resultem em perda de competitividade e/ou rentabilidade. A eficiência é uma exigência dos mercados competitivos, e o respeito aos bens comuns, só se dará, por obrigação definida pelos Estados, ou por instrumentos de mercado, que incorporem os custos e os valores deste respeito, como fatores sistêmicos de eficiência empresarial. Considerem-se como bens comuns, todos os recursos naturais estratégicos, nos diversos contextos relevantes de análise; ver exemplos de conceitos e critérios, na seção 2.2 do XXI: o Século do Desenvolvimento Sustentável. Assim, a GRN competente, no âmbito empresarial, tem que ser analisada dentro do enfoque sistêmico apresentado no quadro II, considerando as seguintes observações adicionais:

            A) o compartilhamento, como enfatizado em 1.3, é o único caminho que abrevia soluções conciliatórias entre os interesses privados e públicos. Nesta busca, os empresários e suas associações corporativas são interlocutores privilegiados, tanto das organizações de Estado, quanto das variadas representações da sociedade civil envolvidas. No caso brasileiro, isto se torna imperativo, porque os desencontros decorrentes prejudicam o desenvolvimento do país, destroem potencialidades nacionais únicas, em âmbito global, e reduzem, drasticamente, a nossa competitividade internacional. Os abundantes recursos naturais disponíveis, em vários países tropicais, oferecem vantagens econômicas comparativas inigualáveis, do ponto de vista de uma maior eficiência global, que alivie o efeito estufa, e viabilize a conservação da biodiversidade, através das forças de mercado. Esses são assuntos recorrentes, em várias abordagens DS.Brasil[11], e continuarão sendo, no presente estudo, daqui pra frente.

            B) A eficiência produtiva e a reciclagem representam variadas oportunidades de investimento, em qualquer empresa. Existem soluções para todos os gostos e objetivos, e há linhas de financiamento nas mais diversas instituições de crédito. Os principais bancos mundiais assinaram a carta de Princípios do Equador, pela qual se comprometem inserir as questões ambientais e a eficiência no uso dos recursos naturais, em seus financiamentos; alguns bancos brasileiros estão entre eles. Os mercados se preocupam, cada vez mais com isso, devido às repercussões do efeito estufa, o encarecimento dos recursos naturais e o surgimento de uma nova geração, mais consciente dos limites de nossos recursos planetários. Na reciclagem, os empresários contam com parcerias diligentes de autoridades municipais e das comunidades urbanas marginais. Na conservação de energia, as boas concessionárias de eletricidade estão prontas para colaborar, e o sistema bancário federal de fomento à economia, também. Estes podem ser parceiros em várias outras situações relacionadas com a eficiência empresarial. No momento em que todos se conscientizarem, que a logística é o problema essencial da reciclagem urbana, e que o ceticismo, é o da conservação energética, as soluções econômicas surgirão, naturalmente. Diversas de nossas conexões úteis disponibilizam material de orientação e tecnologias, no âmbito da reciclagem e da eficiência produtiva; destacam-se entre elas, pela amplitude de suas ações, o CEMPRE, sobre reciclagem, o PROCEL, sobre eletricidade, e o CONPET, sobre o petróleo e seus derivados.

            C) A imensa maioria dos estabelecimentos do setor terciário da economia não é insumo intensivo. Os aglomerados destes estabelecimentos constituem, ou poderão constituir, associações corporativas, que apresentem vantagens econômicas notáveis para a prática da reciclagem e da conservação de energia, e do uso eficiente dos recursos naturais. Estas práticas compartilhadas proporcionam um rateio de investimentos e custos por associado, relativamente baixo, o que favorece um rápido retorno econômico para cada um, além de propiciar ganhos de imagem, que podem compensar, amplamente, a todos. Através dessa união, as parcerias destacadas em B, tornam-se mais atrativas. Este é um caso típico de GRN compartilhada, em que talvez nenhum dos agentes promotores privados, isoladamente, fosse motivado a se preocupar com o assunto. As administradoras dos grandes “shoppings” e cada grande supermercado e seu entorno, devem possuir uma postura de GRN, compartilhada ou não, porque, do contrário, estarão perdendo dinheiro, sem nenhum ganho de imagem!...

            D) Os setores primários da economia são recursos naturais intensivos, mas na imensa maioria das situações existentes, suas escalas de produção desfavorecem a inserção econômica de práticas saudáveis de GRN. As empresas setoriais de produção em massa, que poderiam adotar tais práticas, nem sempre o fazem. No Brasil, além da ganância como causa, tal comportamento é facilitado pela corrupção e/ou por motivos políticos associados aos argumentos de que não se deve dificultar e nem onerar à criação de empregos!?... Na medida em que o Brasil está se tornando um celeiro mundial, e seus produtos industriais, recursos naturais intensivos, ganham competitividade internacional, difundem-se os controles sociais, endógenos e exógenos, que exigem um comportamento socioambiental aceitável pelos mercados mais desenvolvidos. Assim, devagar e sem volta, a GRN não é mais exclusividade só das grandes e tradicionais empresas exportadoras de papel e celulose, materiais cerâmicos, de matérias prima e produtos metalúrgicos, e dos agronegócios; a GRN vem se difundido, no âmbito dos fornecedores destas empresas, e de outras que ampliam os seus mercados, ao agregar valor industrial aos seus próprios produtos e os de seus vizinhos. Na verdade, muitas indústrias recursos naturais intensivas são capitais intensivas, e, portanto, tendem a exigir grandes escalas de produção para a sua viabilidade empresarial; tudo isso facilita a inserção espontânea da GRN entre suas práticas.

            E) O Protocolo de Quioto oficializou a captura de carbono, como conceito de serviço ambiental, em âmbito internacional, mas há muito que discutir e esclarecer, técnica e politicamente, sobre o assunto. Este serviço pode ser adotado, em âmbito do MDL, que visa atenuar o efeito estufa, beneficiando os países em desenvolvimento, que realizarem projetos aprovados de absorção de carbono. Por outro lado, muito se fala da importância da conservação da biodiversidade, como serviço ambiental; porém, aí, as negociações, além de estarem muito longe do consenso internacional, o desmatamento amazônico brasileiro afasta qualquer acordo que nos beneficie. As empresas brasileiras poderão ganhar muito com esses serviços ambientais, porque possuímos condições naturais extremamente favoráveis a isto. Poderíamos lutar por prêmios de mercado, para os nossos produtos de baixíssimas emissões de carbono incorporadas, ao longo de suas CPDs. Com hidroelétricas, biocombustíveis eficientes, minerais de alto teor, redutores de carbono vegetal, ninguém nos venceria, num monte de produtos de alto valor agregado e importância econômica internacional. O conceito de emissão incorporada de carbono, ao produto final, seria definitivo para a validação dos serviços ambientais, e para o sucesso de muitas empresas brasileiras, num mercado que se globalize. A GRN de todas as empresas brasileiras recursos naturais intensivas, e das que integram as CPDs a elas relacionadas, devem priorizar seus próprios estudos, para que se forme uma rede brasileira, técnica, econômica e politicamente coerente, que consagre todas as nossas vantagens comparativas globais. O momento é este, aqui e agora. Se demorarmos, os rumos poderão ser outros....

            F) Todos os destaques anteriores demonstram que a GRN é uma preocupação inevitável para todas as empresas recursos naturais intensivas, que, motivadas por interesse público, internalizam maiores cuidados e dispêndios com estes recursos. O verbo motivar é decisivo aí, porque expressões impositivas ferem os interesses econômico-financeiros dos empresários; com isto, qualquer deles pode buscar outras alternativas de negócios, sempre disponíveis num mundo que se globaliza e busca emprego, ou pode corromper quem impõe, se for interessante!... Os mesmos destaques demonstram que a GRN pode ser uma postura de qualquer empresa que sabe das coisas, e busca ganhar com os recursos que a Era da Informação oferece a todos nós; esta é a postura dos empresários deste Novo Mundo, onde o consumidor é, de fato, o Rei, e está cada vez mais consciente das aflições, que o nosso pequeno e limitado Planeta Terra, nos impõe. É um Novo Mundo, em que o desperdício e a sujeira, estão com seus dias contados. A ética empresarial continua a mesma, o Mundo é que está mudando!...

            G) A GRN sempre foi abordada pelas profissões tecnológicas típicas dos setores energético, dos transportes, da agropecuária, da pesca, da mineração, e de todas as indústrias de base. Ela se tornou uma especialização difusa, como curso superior independente, e desligado das tecnologias tradicionais, apenas no âmbito do setor de petróleo e do meio ambiente. Nas sociedades tecnológicas, e nos países em desenvolvimento com maior massa crítica econômica, como o Brasil, criaram-se vários cursos de gestão ambiental, alguns, como especialização de cursos tradicionais, e outros, totalmente independentes. Isto resultou da evolução das leis e da própria sociedade brasileira, visando satisfazer os desejos crescentes de melhoria de vida de nossas populações, cada vez mais concentradas em cidades. A gestão ambiental, além multidisciplinar, é transprofissional e inclui várias especializações[12]. Com o tempo, pode-se esperar que a oferta de cursos especializados ou disciplinas de GRN se amplie para além das profissões tradicionais já citadas, a fim de incluir as carreiras diretamente relacionadas com a economia e a gestão empresarial.

            H) A GRN das empresas estatais, públicas ou mistas, torna-se mais fácil de se concretizar, pelo fato de seus próprios objetivos, situarem-se entre os interesses públicos e os privados. Como empresas, elas devem se guiar pelas posturas do quadro II, mas os seus cuidados financeiros e de mercado, tendem a ser menos rigorosos do que o das empresas privadas. Se a estatal tem ações em bolsa, a eficiência em torno destes dois focos constitui uma preocupação maior, mas ainda assim, dependerá do corporativismo de seus empregados, que tendem a confundir os interesses da empresa com os seus próprios, notadamente nos países patrimonialistas, como o Brasil. Os cuidados das estatais com a GRN estão intimamente relacionados com a imagem política de cada uma, traduzida por empatias e simpatias eleitorais que, pelo menos, não prejudiquem os governos aos quais se subordinam.

            O DS.Brasil definiu como empresa global, não aquela que apenas ganha dinheiro pelo Mundo afora, mas a que, entres estas, vai mais além, por adotarem quatro atitudes, global e empresarialmente decisivas: i) atenuar a globalização da sujeira, porque a Terra é pequena e é a casa de todos nós; aquecê-la, prejudicará um imenso mercado futuro; ii) a parcimônia no uso dos recursos naturais escassos permite que mais gente enriqueça, e com isto, novos mercados surjam, sem crises ou riscos empresariais significativos; iii) aproveitar-se da Era da Informação, que favorece às empresas que respeitem os recursos naturais estratégicos, como bens públicos relevantes para toda a humanidade; iv) “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”[13]... Obedecer às normas do berço ao túmulo é um imperativo de uma empresa global, porque abrevia caminhos, que propiciarão uma nova ética de mercado, que tenha a sustentabilidade, como premissa. Porém, isto envolve muitos parceiros e os custos adicionais dos novos empregos que serão criados; como a maioria dos mercados ainda não está apta a assimilá-los, a empresa global terá que ir devagar, através de um programa gradual, na medida em que as oportunidades surjam. Alguns países europeus, já criaram contextos institucionais favoráveis a este pioneirismo.

            As associações de classe empresariais se tornam uma interessante solução para a GRN, sempre que escalas ou coerências de imagens tenham que ser alcançadas, como instrumentos de eficiência econômica ou de pressão política. É o caso das representações empresariais no SINMETRO, ou de micro a pequenas empresas locais, que se juntam em cooperativas ou outros tipos de associações, visando rateios de investimentos, de custos técnicos ou de certificação de processos. A nossa legislação sobre produtos orgânicos, e o nosso admirável estatuto da terra, em seu apoio à agricultura familiar, estão entre os instrumentos que as associações corporativas contam, para viabilizar a GRN, que promoveria o sucesso empresarial de seus associados. O Brasil possui longa experiência sobre este assunto, além de normas, legislação e rede de fomento pertinentes, que precisam ser mais bem aproveitadas, tanto por empresas, quanto por indivíduos, que, sozinhos, não têm escala econômica capaz de bancar as melhorias que desejam, mas juntos, terão!... As mais variadas ONGs e instituições públicas estão disponíveis para parcerias criativas, em tais situações. Os contatos com várias delas podem ser feitos através das nossas conexões úteis; pois suas listas foram preparadas para facilitar compartilhamentos deste tipo. Entre estes contactos, destacam-se o SEBRAE, com sua admirável rede de apoio à micro, pequena e média empresa, e a REDETEC, com o seu apoio acadêmico pioneiro.

            As associações classistas de empregados, muitas vezes se envolvem em problemas típicos de GRN, ao se defenderem de discriminações nacionais ou internacionais, em âmbitos do Estado, e até de decisões de empresas, que resolvam manejar produções e/ou mercados. Essas atitudes estão se tornando comuns nos países desenvolvidos, que têm perdido competitividade, pela ação econômica global de suas empresas transnacionais e das novas transnacionais, que têm sido criadas ao redor do Mundo, como fruto da globalização econômica atual. Este uso discriminatório da GRN e da RSC é um dos desafios que o Mundo enfrentará, nos próximos anos. O nosso artigo Desafios Mundiais do Século XXI analisa algumas causas disto, e a nossa seção 1.2 anterior, ilustra o assunto, ao descrever as dificuldades das ISO 14000 e 26000, especialmente esta última, quando comparadas ao rápido e difuso sucesso da ISO 9000.

            A GRN é mais do que evitar ou solucionar problemas ambientais, ou problemas de escassez e eficiência no uso de qualquer outro recurso natural, demandado por uma instituição. A GRN é uma postura de empresários, gerentes, políticos, burocratas ou cidadãos, que queiram aproveitar as oportunidades atuais de evolução econômica e social, neste alvorecer da Era da Informação, e em plena crise existencial gerada pela descoberta que a Terra é pequena, e seus recursos são limitados!... Se o Brasil conciliar os interesses públicos e privados, no uso da nossa imensa e estratégica riqueza natural, os brasileiros enriquecerão, rápida e solidamente, como nunca aconteceu em nossa história. As três próximas seções se dedicam a isto, ao buscar soluções gerenciais, que tornem a escassez de recursos naturais um condicionamento à otimização de mercados competitivos acessíveis a todos. Isto é DS!!!...

 

2.2- A gestão pública transparente

            Nas sociedades complexas atuais, o Estado simboliza o interesse público em toda a sua extensão, ainda que existam contrastes chocantes entre isto e a realidade. Nos Estados democráticos de direito, que estão se consolidando, crescem e difundem-se as ONGs que defendem o interesse público, tanto como controle social complementar à ação do Estado, quanto como fiscais do próprio Estado. A fidelidade entre ação e intenção, face à fragilidade humana, que confunde o público com o privado, é um dos grandes desafios gerenciais na satisfação dos interesses difusos das sociedades. A presente seção se dedica à GRN nas diversas esferas do Estado e das ONGs conservacionistas, humanitárias, e de controles políticos, sempre preocupada com a transparência indispensável ao sucesso da gestão pública e das democracias. Esta preocupação se agiganta, no caso brasileiro, como enfatizado e demonstrado nos capítulos 2 de todos os nossos três estudos já realizados sobre o tema Brasil.

            O quadro III sintetiza as prioridades da GRN no âmbito do Estado brasileiro, supondo-se que este queira abreviar prazos na consecução da sustentabilidade prescrita em nossa constituição. Ele retrata vários aspectos relevantes ao assunto, e analisados nas seções 1.3 e 2.1 anteriores, 3.2 a 4.2 do Projeto Brasil do Brasileiro, e o capítulo 4 do Perfil Prospectivo do Brasil. Os destaques do quadro III são essenciais ao encontro institucional do Estado com a nação brasileira, visando aproveitar os nossos formidáveis recursos naturais, em benefício de todos nós, como oportunidade única, no Mundo atual.

 

QUADRO III: O ESTADO COMO PARCEIRO NA GRN PARA O DS BRASILEIRO

FOCO

DESTAQUES PRIORITÁRIOS

CERTIFICAÇÃO

Facilitar a certificação no âmbito dos micros a pequenos produtores, através de associações que propiciem escalas econômicas à adequação técnica e gerencial de seus processos, às exigências normativas existentes. Fomentar os investimentos correspondentes, inclusive entre as médias empresas, por meio de financiamentos privilegiados.

ORDENAMENTO TERRITORIAL E URBANO

Implantar a prática das Avaliações Ambientais Estratégicas – AAE, como sugerido em 2.4, inclusive como referência para uma nova política nacional e regional de reservas legais acima de 20%. Apoiar, decisivamente, a elaboração e adequação permanente dos planos diretores, como instrumento participativo de ocupação do território municipal, e de aglomerações urbanas e econômicas de maior extensão. Realizar AAEs sobre todas as unidades de conservação da natureza - UCN brasileiras e suas regiões vizinhas, e revê-las do que daí surgir; exigir EIA/RIMA de qualquer nova UCN que possua área considerável, em relação aos municípios ou estados onde se implantarem. Eliminar o arbítrio sobre as mitigações ambientais, através de condicionamentos prévios explícitos, estabelecidas a partir das AAEs realizadas.

CONTROLES ANTIPOLUIÇÃO

Privilegiar os instrumentos econômicos de controle da poluição. Contextualizar os regulamentos nacionais e estaduais de controle da poluição, e as classes de uso ambiental, adequando-os: i) às AAEs realizadas; ii) às efetivas implantações dos planos e programas de saneamento básico envolvidos; iii) às disponibilidades de recursos para a consecução dos planos diretores e dos ajustes urbanos ao estatuto das cidades relativos à região objeto de controle. Discutir, técnica, econômica e transparentemente, o uso da capacidade ambiental de acomodação - CAA, como o instrumento de GRN, que ela efetivamente tem sido, é, e continuará sendo, por muito tempo ainda. Regulamentar, difundir e aplicar o EIV como instrumento dinâmico e fundamental de controle da poluição e respeito às comunidades urbanas existentes.

PARCIMÔNIA

Promover parcerias com os empresários e as organizações da sociedade civil, visando campanhas nacionais permanentes de combate aos usos perdulários dos recursos naturais, diretos e indiretos. Fomentar os investimentos em toda a cadeia da reciclagem, com ênfase nas atividades logísticas e de escalas que a viabilizem, propiciando aos empreendedores, financiamentos privilegiados e parcerias facilitadoras[14]. Fomentar o uso eficiente dos nossos recursos naturais escassos, através de incentivos tributário aos fabricantes de dispositivos e equipamentos estratégicos sempre melhores. Apoiar, fortemente, através dos variados instrumentos de fomento disponíveis, à P&D em arquitetura verde e nos processos industriais que a viabilizem, competitivamente.

VANGUARDA TROPICAL

Tornar o Brasil: pioneiro em P&D tropicais, líder em venda de serviços ambientais, e um dos maiores fornecedores mundiais de produtos globalmente eficientes. Viabilizar a conservação da biodiversidade brasileira a partir daí, das mitigações ambientais espontâneas ou compulsórias, e dos tampões ecológicos sustentados pelo livre mercado[15]. Completam a presente célula, os estudos e programas sugeridos na célula do quadro VI - ministério do DS, e na célula do quadro VII - vanguarda tropical, seções 4.1 e 4.2 do Projeto Brasil do Brasileiro, respectivamente.

FOMENTO

Destinar os recursos públicos que sustentam as fontes privilegiadas de financiamento do mercado nacional, e os incentivos fiscais, em geral, exclusivamente para os empreendimentos e atividades prioritárias para o desenvolvimento nacional, como destacadas neste quadro III, e nas seções 3.3 a 3.5 e 4.2 do Projeto Brasil do Brasileiro.

 

            O quadro III parte de três premissas fundamentais: i) o Estado brasileiro precisa se livrar do seu ranço autoritário histórico, e fazer cumprir as nossas leis, em livres parcerias com a sociedade; ii) que as forças vivas da nossa sociedade civil consigam se conscientizar que o patotismo é o inimigo público número 1 da nação; iii) que as práticas empreendedoras e criativas prevaleçam sobre o comodismo e o conluio típicos de considerável parcela de nossas elites e empresários. Do contrário: a) os conservacionistas e o MMA continuarão em conflito com a maioria de nossos cidadãos conscientes, em antagonismos, que tornam letra morta, as nossas belíssimas e bem intencionadas leis sobre o desenvolvimento humano e o DS; b) as patotas do Estado e de grande parte da rede de poder de nossa sociedade continuarão a sugar os recursos da nação, alimentando o sistema conservativo das iniqüidades brasileiras- SCIB, que mina a esperança dos excluídos, e agrava a violência de um povo que a desconhecia; c) continuaremos a ser o eterno país do futuro.

            Há experiências de sucesso em todo o Mundo, sobre cada uma das prioridades destacadas no quadro III, e a seção 1.3 anterior citou várias delas. A própria legislação ambiental brasileira é uma dessas boas experiências; o problema aí, não é o seu conteúdo, mas a sua prática, deformada por um Estado que confunde o público com o privado, e que só deixará de fazê-lo, através de uma firme parceria entre cidadãos, ONGs idôneas, empresários conscientes de sua RSC, e políticos transparentes. Os capítulos 2 do Perfil Prospectivo do Brasil e do Projeto Brasil do Brasileiro, o 3 da Perturbada Economia Brasileira, e a seção 1.3 do presente estudo analisam e sugerem vários caminhos na busca por convergências. As nossas seções seguintes sempre os destacarão.

            A conservação da biodiversidade é um assunto extremamente difícil de ser abordado sobre a ótica da GRN, em qualquer país do Mundo. Apesar do sucesso do sistema de UCN americanas e da consciência conservacionista européia, o que estes países conservam é o resto da formidável expansão demográfica e econômica dos seus povos. Eles se enriqueceram através da destruição de seus ecossistemas naturais mais favoráveis ao cultivo e ao pastoreio, e, hoje, ricos, preservam o que sobrou, dominantemente áreas de baixo valor econômico (ver 2.2 e 2.3 do As Funções Sociais da Natureza e a curiosidade de 20/05/07). O mesmo ocorreu em todos os biomas não úmidos aproveitáveis da África e da Ásia, que atingiram uma densidade demográfica elevada, já antes da colonização européia, especialmente considerando que as tecnologias disponíveis nesta época, eram bem menos eficientes do que as atuais. Sobraram as florestas tropicais úmidas, que estão sendo destruídas agora, pelos seus povos, ainda que com baixo sucesso econômico, porque fruto da predação gananciosa dos poucos que dominam suas redes de poder oligárquicas. Os conservacionistas ricos preocupam-se com esta predação, porque ameaça o maior recanto da biodiversidade mundial, esquecendo-se do efeito estufa, a maior ameaça para esta riqueza de vida, e para o qual, os seus abastados conterrâneos são os contribuintes dominantes. Várias curiosidades DS.Brasil sobre os temas Recursos Naturais e Conservação e Florestas Tropicais ilustram o assunto. Usar o poder de polícia do Estado, para conservar o que pode saciar a fome de quem tem, ou dar esperança a quem não tem, é incompatível com o DS e com uma democracia transparente: na seção 2.2, coluna conservativo do quadro I do Paradigmas Mundiais de Desenvolvimento, o DS.Brasil considera isto uma arbitrariedade, ilustrando-a no conjunto de outras práticas humanas. As nossas sugestões de revisão do sistema de conservação da biodiversidade, como indicado na linha ordenamento territorial e urbano do quadro III anterior, estão coerentes com essas observações.

            O quadro III é uma síntese das análises da seção 1.3, e como tal, reforça as parcerias Estado e sociedades, como sabiamente prescritas em toda a legislação ambiental brasileira, notadamente aquelas mais próximas da GRN: o código florestal, a lei do saneamento, o estatuto das cidades, as prescrições legais sobre ordenamento territorial, a lei do ministério público como guardião ambiental, as políticas nacionais sobre meio ambiente (PNMA) e recursos hídricos (PNRH), a lei da inovação, e a lei sobre educação ambiental. Toda esta legislação participativa foi inspirada em nossa constituição, a lei mor, garantia de nosso DS. Boas leis não nos faltam... Porém, na medida em que se baixa na hierarquia delas e na sua execução, “criam-se dificuldades para ganhar facilidades” e fomentam-se patotas, inclusive internacionais, que se aproveitam dos desencontros gerenciais em nosso imenso e desconfiado Estado. Tudo isto reflete uma situação clássica, que favorece a corrupção e as confusões entre o público e o privado, em todo o Mundo[16]. Lutar contra isto é a prioridade maior de todos os que buscam o interesse público e o DS nos países em desenvolvimento e nos países ricos não democráticos. Não há como prescindir das ONGs que exerçam os controles políticos, onde a transparência deforma a democracia!...

            As ONGs conservacionistas e humanitárias são peças chave nisso tudo. Junto com a ONGs de controles políticos, elas são indispensáveis ao sucesso das redes de vigilância pró-ativa sugeridas no quadro II de 2.3 do Projeto Brasil do Brasileiro, que poderiam ser estendidas aos demais países tropicais e a muitas regiões subtropicais pobres, porque todos sofrem as fortes ameaças ambientais do efeito estufa, e carecem de recursos institucionais que as contornem, a tempo. Motivando a união dessas ONGs, há convergências sinérgicas atuais imperdíveis: i) a democracia se expande no Mundo; ii) a Era da Informação facilita ações em busca da equalização social e econômica; iii) o efeito estufa afetará, profundamente, os principais focos das ações conservacionistas e humanitárias, a biodiversidade e a pobreza; iv) os países desenvolvidos são os principais causadores desta perversidade, e suas sociedades, sensíveis à justiça, agirão, tão logo se conscientizem da realidade, que a hipocrisia do poder esconde. O momento é único para somar esforços e deixar o pragmatismo substituir o fundamentalismo ideológico, que divide e não constrói.

            A união faz a força e não há tempo a perder!... Temos as ferramentas, vamos usá-las!!!...

 

2.3- A ecologia econômica como postura

            A ecologia econômica é um dos principais instrumentos usados nas análises DS.Brasil visando o DS. Ela foi abordada, em seus aspectos conceituais, módulos componentes e no conjunto das técnicas hoje disponíveis sobre o assunto, no capítulo 5 do As Funções Sociais da Natureza. Sob o enfoque da GRN destacam-se, entre os tópicos da ecologia econômica, os seguintes: a economia da produção, a ambiental, a da reciclagem, a de conflitos e a da biodiversidade. A primeira resulta de aplicações especializadas dos textos clássicos da economia, como praticado nos diversos cursos tradicionais de administração, engenharia e outras técnicas produtivas; ela também pode ser chamada economia da eficiência; as avaliações sobre os riscos e as incertezas de mercado são, aí, os principais desafios cognitivos a vencer. Mas as outras quatro economias apresentam peculiaridades que transcendem a economia clássica, por exigirem abordagem dominante contextual, criativa e pragmática, cuja solução está mais no âmbito da intuição e da prática, do que da teoria; seus métodos são típicos da economia política e das estratégias gerenciais heurísticas[17].

            Todas as quatro economias lidam com uma difícil mistura de valores privados e públicos, que demandam, quase sempre, soluções conciliatórias. Com isto, a economia de conflitos se torna um instrumento para todas elas; o capítulo 4 do Anatomia das Decisões Humanas se dedica a economia de conflitos, e ao conjunto de técnicas associadas a ela, que permitam torná-la um instrumento eficiente de negociação e de conciliação. Entre as quatro, a economia da reciclagem é a que apresenta menores lacunas técnicas e científicas, e a que mais se aproxima, sob o enfoque da GRN, da economia da produção; seu maior desafio está na avaliação correta dos variados interesses públicos e privados envolvidos em cada contexto relevante; por isto, o DS.Brasil desenvolverá um estudo específico sobre o assunto, sistematizando estes contextos, as melhores técnicas de avaliação de cada um, e os resultados das práticas já desenvolvidas, nas situações econômicas e sociais mais importantes. Há dificuldades análogas entre economia ambiental e economia da biodiversidade, pois o maior problema da primeira, os aspectos ambientais sistêmicos, é a causa das grandes ameaças à conservação da vida na Terra; em ambas, os conflitos entre o público e o privado, e os vazios técnicos e científicos assumem importância decisiva. Mas a economia da biodiversidade enfrenta os desafios adicionais da avaliação dos aspectos éticos que envolvem a caracterização técnica e econômica objetiva dos muitos benefícios que o complexo da vida oferece. Os capítulos 2, 3 e 4 do As Funções Sociais da Natureza ilustram essas dificuldades e as tentativas em resolvê-las.

            A evolução do conceito de serviço ambiental, que ainda está nos seus primórdios, é a chave para a solução de todos esses problemas, e por isto, constitui o maior desafio da ecologia econômica. Como a economia ambiental é a mais genérica das economias que nos interessam, ela já foi objeto de inúmeras publicações; um de seus principais instrumentos, a contabilidade ambiental, tem merecido esforços prioritários de desenvolvimento. Sobre isso, destaquem-se: i) a nota sobre economia ambiental, quadro V do As Funções Sociais da Natureza, fornece indicações orientadas sobre a bibliografia pertinente a abordagem clássica desses assuntos; ii) a leitura dos capítulos deste mesmo estudo, destacados ao final do parágrafo anterior, é suficiente para os que se interessam por GRN se informarem, adequadamente, sobre o atual estado da arte da economia ambiental, que visa a solução de seus problemas, ainda longe do consenso. Os desafios relacionados com a conservação da biodiversidade, da mensuração do efeito estufa sobre ela, e da avaliação dos serviços ambientais aí envolvidos, envolvem controvérsias cognitivas excepcionais dentro das enfrentadas pela economia ambiental. Assim, não há como negar uma preocupação metodológica bem típica nas abordagens da economia da biodiversidade e da remuneração dos serviços prestados pela teia da vida ao próprio ser humano, integrante indissociável dela.

            Estas peculiaridades metodológicas e o fato de crescente parcela das sociedades humanas valorizarem a vida dos demais seres, sob os mais variados aspectos, demandam soluções que justificam o destaque DS.Brasil para a economia da biodiversidade, como tópico distinto da economia ambiental; as novidades que aí surgem, implicam num enfoque de mercado, muito mais aprofundado do que o exigido nas questões ambientais estritamente antrópicas. A educação ambiental, o grande tópico da ecologia econômica, ainda não enfatizado nesta seção, consagrou-se como instrumento de inserção socioambiental do cidadão contemporâneo; ela difundiu-se, vigorosamente, pelo Mundo, a partir de meados do século passado, e sua notável influência se faz presente nos mais diversos segmentos da sociedade humana[18]. Esta influência pode ser notada na postura das crianças e dos jovens de hoje, que consideram relevantes, valores de conservação dos recursos naturais e respeito ambiental, em extensão inédita nas gerações anteriores. As perspectivas de evolução dessas novidades comportamentais, aliadas aos efeitos perversos do aquecimento global sobre os pobres e a biodiversidade, indicam valorizações éticas, que somente têm sido consagradas, em tempos recentes, no âmbito de algumas religiões e dos movimentos conservacionistas e humanitários. É um imperativo dinâmico da GRN aproveitar o momento atual, atenta à evolução objetiva dos serviços ambientais da biodiversidade e a dos estímulos educativos dela, na configuração de novos mercados. Por tudo isto, a economia da biodiversidade e a educação ambiental, serão abordados em todos os cinco próximos estudos DS.Brasil, já programados.

            A figura II ilustra todos os destaques dos parágrafos anteriores, enfatizando, pela grossura das setas, o nível de influência entre as inovações e os instrumentos da ecologia econômica. As relações entre os serviços ambientais e as economias são biunívocas, porque serem estritamente cognitivas, com influências recíprocas. Mas, as relações delas com a educação ambiental são unívocas, porque traduzem a multiplicação de conhecimentos e ações decorrentes de atividades educativas, formadoras primárias de valores, opiniões, hábitos, costumes, mercados e consolidações culturais.

 

 

            A figura II sintetiza a postura da ecologia econômica como praticada por um gerente ou cidadão consciente de seu papel no Mundo atual. É necessário que todos tenham a noção das finalidades instrumentais das várias economias nela destacadas, e situem-se num Mundo inovador, que exige novos serviços ambientais como práticas de mercado, e demanda crescentes conhecimentos sobre a natureza, para que indivíduos e comunidades se insiram como parceiros ativos da globalização plena, que o alvorecer da Era da Informação viabilizou. Por tudo isto, a figura II constitui um guia para a complementação dos tradicionais sistemas de apoio à decisão SAD, que devem ser ampliados para se adequarem à ecologia econômica como postura de GRN.

            Os SAD e seus processos foram objeto de análise nas seções 1.3, 1.4, 2.1, 3.2, 3.3, e 4.1 a 4.3 do Anatomia das Decisões Humanas, que enfocam os principais aspectos das avaliações econômicas visando as decisões para o DS, que estejam no âmbito dos instrumentos destacados na figura II. Mas esta figura acrescenta a aquelas seções, uma visão sistêmica das economias como instrumentos da ecologia econômica, associados aos desenvolvimentos fundamentais relativos aos serviços ambientais e à educação ambiental. Esta evolução deve ser acompanhada par e passo, no âmbito de qualquer empresa global, das ONGs conservacionistas de vanguarda, e dos órgãos centrais de Estado, que lidam com políticas e controles dos recursos naturais, e que se ajustem às práticas conciliatórias preconizadas em 1.3 e 2.2 anteriores. Usar os recursos disponíveis da Era da Informação agiliza decisões, alerta para novidades inadiáveis e sugere estratégias de ação decisivas. A figura II é um destaque visual para as relações sistêmicas evolutivas que devem ser atenta e oportunamente interpretados num SAD para GRN...

            ... E estamos apenas no alvorecer da Era da Informação!...

 

2.4- Avaliação ambiental estratégica - AAE

            A avaliação de impactos ambientais – AIA tornou-se um instrumento obrigatório de gestão pública, tendo sido consagrado em muitos países, inclusive no Brasil; aqui, ela foi institucionalizada através do conjunto EIA/RIMA. As empresas ambiente-intensivas são obrigadas a realizá-lo, a fim de obter o licenciamento ambiental para implantação e operação. Há vasta literatura sobre o assunto, que serve como referência para administradores públicos e privados[19]. No Brasil, os EIA/RIMA são objeto de permanente preocupação para o CONAMA, não só por sua importância ambiental, como pela repercussão econômica que eles têm; por isto, tornaram-se objeto de normalização recorrente.

            Apesar das preocupações CONAMA e de vários órgãos do SISNAMA, os EIA/RIMA tornaram-se uma indústria a sustentar consultoras bem relacionadas, e difundir os mais variados conluios. Há diversas causas para isto, destacando-se entre elas: as clássicas exigências política e economicamente irrealizáveis; a má estruturação gerencial do Estado; o patotismo que se alastra no país. O processo de licenciamento ambiental tornou-se um ineficiente instrumento de gestão pública, e um entrave ao DS, por sua falta de transparência e exorbitância autoritária, apesar da notável e exemplar ação do ministério público. A recente intervenção arbitrária da presidência da república, visando solucionar os transtornos que o processo de licenciamento tem causado em obras de grande relevância regional e nacional, é um formidável depoimento da péssima estruturação gerencial do Estado, face ao cumprimento da meritória e bem intencionada legislação ambiental brasileira. Lamentavelmente, as pressões internacionais conservacionistas, logo nos primórdios de nossa iniciante democracia, fizeram com que os nossos políticos pouco transparentes, “empurrassem com a barriga os problemas”, criando uma superestrutura gerencial ambiental, incompatível com os nossos recursos disponíveis, com o nosso próprio nível de amadurecimento político, e com o nacionalismo de importantes segmentos bem intencionados da rede de poder nacional. Apesar de ativos chefes do MMA, como um filho de presidente e uma admirável e sensata conservacionista, continuamos com um mundo de boas intenções de papel, e pouco de realização concreta pelo DS brasileiro, como preconizado pela nossa constituição[20].

            Uma das grandes falhas gerenciais da quase totalidade dos governos do Estado brasileiro, em todas as suas unidades político-administrativas, foi não entender a nossa realidade, que exige aproximar o Estado da nação, como prescrito em todas as normas dos níveis mais altos da hierarquia de nossas leis. O DS é um conceito recente, e até agora, dominado por intenções conservacionistas de quem não precisa se preocupar com a sua sobrevivência e bem estar individual; é o conceito daqueles que olham para as gerações futuras, esquecendo que as gerações presentes gostariam de ter o que eles têm!!!... O conceito constitucional brasileiro é diferente e está refletido em nosso verbete sobre o que seja DS. Um gerente prático, que visa o DS, no Brasil, tem que se conformar: i) às realidades econômica, social, cultural, ecológica e política, extremamente complexas, de um país gigante, cheio de vazios territoriais, e rico em recursos naturais; ii) às lacunas cognitivas destacadas na seção anterior, e aos valores éticos nacionais e comunitários relevantes, em cada contexto. O nível de estruturação das informações e dos objetivos privados e públicos aí envolvidos é muito baixo, incompatível com os aspectos táticos e operacionais clássicos de uma AIA, onde os objetivos estratégicos, de âmbito das mais altas hierarquias gerenciais, não foram transparentemente definidos. AAEs pragmáticas são indispensáveis à GRN, em países onde ainda prevalece a falta de transparência típica das democracias imaturas. Os quadros I e III das seções 1.3 e 2.2 anteriores, respectivamente, e os das seções 2.3, 3.2 e 4.1 do Projeto Brasil do Brasileiro, apresentam soluções e comentários que refletem, nitidamente, a urgência das AAEs na GRN nacionais, em seus mais variados aspectos.

            Alguns estudiosos reservam a expressão AIA, para estudos sobre projetos específicos, e a expressão AAE, para planos e programas. A distinção entre AIA e AAE adotada pelo DS.Brasil está no objeto da avaliação: na AIA, o objeto são atividades bem definidas, sob a responsabilidade institucional incorporada num só agente, que se localizarão em áreas cujos parâmetros de referência ambiental são realistas e se ajustam às exigências da hierarquia legal pertinente; b) na AAE, o objeto é um espaço geográfico de uso múltiplo, por múltiplos agentes institucionais, e sobre o qual persistem controvérsias sobre a otimização de sua sustentabilidade, tanto sob o aspecto normativo, quanto de ocupação setorial. A AAE é instrumento gerencial da alta administração responsável pela ocupação do espaço geográfico considerado, nos termos da legislação vigente. Ela se aplica aos contextos institucionais onde há média a forte dissensão comunitária, e onde se exige um processo de tomada de decisão inteligenciada (ver 1.1, 2.1 e 4.1 do Anatomia das Decisões Humanas). O quadro IV, a seguir, enfoca os vários tipos de AAEs envolvidos em espaços geográficos dominados por florestas tropicais, em todo o Mundo, com destaques ilustrativos sobre as Amazônias brasileiras.

 

QUADRO IV: AAEs EM FLORESTAS TROPICAIS

MOTIVAÇÃO

DESTAQUES/ ILUSTRAÇÕES GERENCIAIS NAS AMAZÔNIAS BRASILEIRAS

SERVIÇOS AMBIENTAIS

São essenciais ao adequado enfoque da ocupação e uso das florestas tropicais (ver 2.3 anterior). A definição transparente dos diversos serviços prestados por elas, depende de P&D contextuais, e uma definição do custo de oportunidade dos recursos locais e/ou regionais, sob a ótica das comunidades envolvidas, com a inclusão necessária da sociedade nacional. São urgentes tais estudos: i) no âmbito da Amazônia Ocidental Brasileira, considerando o seu desenvolvimento pontual; ii) no âmbito da Amazônia Centro-Norte, destacando as áreas de influência das vias de penetração regional e as vizinhanças de suas cidades; iii) em âmbito setorial e difuso da Amazônia Sul-Oriental.

SISTEMAS VIÁRIOS

Eles definem o uso desejado para as regiões a serem atendidas. Qualquer sistema viário de penetração em regiões tropicais florestadas, incluindo as melhorias de navegação em escala, e os sistemas de transmissão de eletricidade e dutoviários, são motivos de AIAs. Por isto, é urgente uma AAE setorial integrada dos sistemas energéticos e viários da Amazônia Sul-Oriental; AAEs análogas para as outras Amazônias brasileiras, dependerá das AAEs energéticas destacadas em outras linhas deste quadro.

POVOS DA FLORESTA

Todas as grandes áreas remanescentes de florestas tropicais são habitadas por povos tradicionais, que dependem delas para se realizarem como seres autônomos, cultural e individualmente. O Brasil é pioneiro no assunto, e as áreas que suportam sistemas cultiváveis resilientes de alta produtividade – SCURAP, destinadas aos povos da floresta, na Amazônia, totalizam extensão incomparável no Mundo. Este pioneirismo humanitário, talvez contenha alguns exageros, que causam permanente incômodo geopolítico, em parcelas relevantes da sociedade brasileira; ele tem motivado violências de Estado recorrentes. Uma AAE sobre o assunto, na Amazônia Centro-Norte e nas regiões de fronteira da Amazônia Ocidental Brasileira, deve ser cuidadosamente cogitada.

BIOMASSA

Grande parcela das terras cobertas por florestas tropicais são SCURAP, especialmente para a produção de biomassa energética. A Amazônia Sul-Oriental, difusamente, e a Centro-Norte, ao longo das áreas de influência de suas vias de penetração regional, devem ser objeto de AAEs setoriais, a luz dos resultados dos estudos urgentes enfatizados na linha serviços ambientais.

UCN

Aqui valem, com mais fortes argumentos, e sem razões humanitárias, os cuidados geopolíticos destacados sobre os povos da floresta. Isto justifica a AAE sugerida no ordenamento territorial do quadro III, com urgência coerente com os estudos sobre serviços ambientais, acima mencionados.

HIDRO-ELÉTRICAS

Na quase totalidade das grandes áreas remanescentes de florestas tropicais, o potencial hidroelétrico disponível é considerável. Este potencial, nas Amazônia Sul-Oriental e Centro-Norte são recursos estratégicos nacionais, indispensáveis. E não só como fonte de energia, mas também pelos seus serviços ambientais inestimáveis. São prioridades: a inserção das hidroelétricas nos estudos sobre serviços ambientais antes sugeridos; AAE das bacias do Madeira e do Tapajós integrada ao sistema viário regional, como proposto na linha pertinente.

RECURSOS MINERAIS

Destaques análogos às hidroelétricas. O aproveitamento do gás/óleo da Amazônia Sul-Oriental requer uma AAE setorial, integrada às hidroelétricas e sistemas viários regionais, como comentado nas linhas correspondentes a estes setores. Uma AAE do gás/óleo no âmbito da Amazônia Ocidental Brasileira poderá ser inevitável, à luz das novas prospecções regionais previstas. Os demais aproveitamentos minerais conhecidos devem se integrar, complementarmente, a todas as AAEs antes sugeridas..

EXPANSÃO DEMOGRÁFICA

As áreas de florestas tropicais têm sido válvulas de alívio para o aumento da pobreza tropical. A expansão demográfica nas Amazônias brasileiras seria regulada, naturalmente, como resultado das AAEs sobre sistemas viários e setoriais destacados antes neste quadro.

 

            A prioridade máxima destacada no quadro IV, são os estudos e P&D sobre serviços ambientais, que fundamentam várias das demais AAEs nele sugeridas. Na verdade, os serviços ambientais das florestas tropicais são o grande desafio técnico e de mercado para a consecução do DS, como objetivado pelos conservacionistas, e por todos aqueles que respeitam a Terra, como o Planeta Vida. Como enfatizado na figura II anterior, os serviços ambientais são essenciais aos enfoques da ecologia econômica, buscando a viabilidade do DS, em suas diversas escalas e espaços geográficos. Para o Brasil, eles são mais importantes ainda, porque nós temos, em nossos imensos territórios florestados, uma riqueza de vida e recursos naturais, invejadas no Mundo inteiro; isto cresce de importância na medida em que: novas demandas por alimentos surgem; os combustíveis fósseis de maior virtude estão se esgotando e encarecendo; o efeito estufa pode ser catastrófico, mesmo para as potências hegemônicas... Os serviços de balanceamento do carbono atmosférico, prestados pelas florestas tropicais, associados ou não aos seus usos e impactos, é a prioridade maior, dentro da própria urgência dos serviços ambientais. Ver o nosso artigo O Brasil da Biodiversidade...

            A análise do quadro IV destaca a existência de AAEs estritamente espaciais, e outras setoriais, referidas a certos tipos de espaços geográficos. O quadro IV buscou integrar, numa só, várias AAEs setoriais, a fim de facilitar um enfoque mais racional da ocupação dos espaços amazônicos brasileiros. Este é o caso da Amazônia Sul-Oriental, em que uma única AAE visaria à sustentabilidade da integração coerente dos seus sistemas de infra-estrutura viária e energética, considerando ainda: os seus aproveitamentos minerais e as decorrentes implantações minero-metalúrgicas; suas expansões agro-silvo-pastoris e a cadeia dos agronegócios resultantes; as pressões demográficas que surgirão. O recente caso das hidroelétricas do Madeira é um exemplo do que não deve ser feito, em qualquer tipo de estudo sobre impactos ambientais: enfatizaram-se as hidroelétricas, criticando-se, fortemente, o assoreamento delas, que deveria ser uma preocupação exclusiva de quem as promove, pois é condição vital para a viabilidade econômica dos empreendimentos (ver nosso artigo As Decepções que Nos Ensinam!...). Mas esqueceram-se dos formidáveis impactos ambientais que surgirão na área de influência da navegação fluvial, que poderá superar a expansão regional ocorrida até agora. E isto, em sinergias com os sistemas viários transoceânicos já cogitados, e em construção, em todo o sudoeste amazônico trinacional... E que se integrará, queiram as potências hegemônicas ou não, à riqueza de petróleo e gás, em expansão na região!... Com base em parcerias transparentes, tecnicamente sólidas e objetivamente democráticas, as oportunidades surgirão, beneficiando a todos[21]. Assim pensa o gerente que faz as coisas andarem!!!...

            Por tudo isso, as florestas tropicais têm sido objetos de estudos e preocupações gerais. A sua complexidade é um desafio científico e tecnológico permanente. A sua importância geopolítica é indiscutível, o que complica mais ainda os relacionamentos visando o seu uso racional. As sociedades nacionais acabam se tornando caudatárias, por falta de recursos ou reações nacionalistas truculentas. É preciso confiar em nós mesmos, e na força do saber, para estabelecermos um diálogo construtivo: a Terra é pequena, e as florestas tropicais são importantes para todos nós. Temos que ser pró-ativos, especialmente nós, os brasileiros, que muito temos a ganhar com elas, especialmente se soubermos das coisas, e formos transparentes no trato com quem também sabe das coisas. Muitos estudos já foram realizados buscando conhecer as florestas tropicais, sua riqueza biológica, suas funções sistêmicas e seus serviços ambientais. Apesar disto, a complexidade natural do assunto e as controvérsias geopolíticas que ele desperta, dificultam a evolução dos conhecimentos e das trocas humanas, que as florestas tropicais podem propiciar. As parcerias são essenciais à GRN de nossas florestas: a união faz a força[22]!...

            As sugestões do quadro IV foram intencionalmente realizadas, como encontros participativos das comunidades tropicais, ilustrados com o caso da Amazônia brasileira, onde o encontro se dá, conforme as nossas leis maiores, sem ferir suscetibilidades políticas idôneas. Temos todos os recursos necessários para acertar o passo com a racionalidade gerencial, que nos insira numa globalização mais ampla, onde a eficiência global seja uma das motivações para as trocas econômicas internacionais. A nossa presença ativa, em benefício do DS, poderia motivar uma imensa maioria silenciosa de cidadãos competentes de todo o Mundo, a se ativarem na busca por melhorias para todos. Nós temos motivos sociais, econômicos, políticos e humanitários para isto, e massa crítica de recursos que viabilize isto. Aí, ninguém tem tanta motivação como nós. O problema é que os brasileiros ainda não se conscientizaram disto, e das perdas que sofrerão, se nada for feito. Temos que enfatizar que a nação não pode continuar ignorando que o nosso Estado se serve dela, e não o contrário. Quem sabe disto deve espalhar para todos os brasileiros, que a sustentabilidade é a essência dos nossos direitos constitucionais. Para que ela se realize, temos que liderar os conhecimentos sobre os trópicos, e motivar mais transparência e eficiência gerencial, que anule as realimentações destrutivas do uso atual das florestas tropicais e o efeito estufa; os benefícios efetivos às populações tropicais pobres, as maiores vítimas ambientais da globalização da sujeira, são centrais. O nosso artigo Pra Onde Vai o Mundo?!... é uma síntese geográfica sobre essas preocupações.

            O quadro IV resultou da fé inabalável que o DS.Brasil possui, de que a economia de conflitos realizada, técnica, participativa e transparentemente, como sugerido em 4.1 do Anatomia das Decisões Humanas, facilitará a consolidação de interpretações nacionais sobre os serviços ambientais das florestas tropicais mundiais e as AAEs decorrentes. Isto motivará a união dos conservacionistas não dogmáticos e dos cidadãos conscientes de sua função social, na busca por convergências nos foros internacionais sobre o assunto. O quadro IV sugere um encadeamento flexível, que se encaixe num processo adaptativo de inteligenciamento, onde a conciliação tem que substituir a tolerância, na busca por um ótimo, que depende de muitos, não só de poucos!...

            O quadro IV restringiu-se a uma visão pragmática das sinergias que possam ser realizadas, sem esforços adicionais significativos, por nossos gerentes competentes, dos muitos que existem entre os bons cidadãos brasileiros, tanto no âmbito público, quanto no privado. As prioridades multiplicativas destes gerentes são duas: i) mostrar aos políticos honestos, e certamente há muitos por aí, que eles só têm a ganhar com isto; ii) mostrar aos empresários dinâmicos e honestos, e certamente há muitos por aí, que suas empresas terão grandes e variados benefícios, com baixo custo e risco, e rentabilidades compensatórias. Bom senso, boas parcerias e simpatia garantirão o sucesso oportuno deste trabalho inicial de formiguinha, que rapidamente pode gerar bons frutos e se multiplicar!...

            Há muitos caminhos. Hoje, saber das coisas ficou muito mais fácil... Saibamos!!!...[23]

 

3- DESAFIOS GERENCIAIS PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (DS)

3.1- Síntese executiva

            O quadro V, a seguir é uma síntese gerencial de todos os desafios técnicos, econômicos, culturais e políticos relacionados com a sustentabilidade do uso dos recursos naturais, como discutido nas seções anteriores do presente estudo, e apresentados nos quadros II, III e IV das seções 2.2, 3.3 e 4.2, respectivamente, pertencentes ao estudo Funções Sociais da Natureza.

 

QUADRO V: VISÃO PARA OS DESAFIOS GERENCIAIS DO SÉCULO XXI

DESAFIOS

DESTAQUES

SEGURANÇA HUMANA

Respeito e garantia aos direitos humanos fundamentais, aceitos por consenso internacional, através de documentos aprovados pela Assembléia Geral da ONU, em diferentes épocas e sob diferentes aspectos. Tudo isto também é consagrado pela constituição e a alta hierarquia das leis brasileiras. Porém, a imensa maioria da humanidade ainda está longe de alcançar a segurança de uma sobrevivência digna.

PARCIMÔNIA

O consumismo favorece aos ganhos imediatos das redes de poder de nossas sociedades, em detrimento dos mais pobres, e em desrespeito aos bens comuns e aos recursos escassos da humanidade. O desperdício também. A parcimônia favorecerá a difusão da riqueza, trazendo a esperança, que reduz a violência dos excluídos; ela motivará a solidariedade, atenuando a hipocrisia liberal, que faz a guerra e alimenta o terrorismo. A parcimônia, como prática da racionalização dos nossos impulsos, e do controle de nossos descontroles, poderá recompor o tecido esgarçado das sociedades que assistem a busca pessoal por derivativos alienantes, como sucedâneos para a esperança no que constrói.

GLOBALIZAÇÃO

A Terra é pequena e a casa de todos nós. A Terra é o planeta vida, e nós estamos destruindo a vida que existe nela. A globalização atual, apoiada na hipocrisia liberal, deforma o livre mercado, concentra a riqueza e suja a Terra, prejudicando muito mais gente do que beneficia. A transparência e o saber estão se globalizando e se difundindo, numa velocidade muito maior do que qualquer outra atividade ou qualidade humana. Ambos são os maiores inimigos da ganância e da hipocrisia do poder que a sustenta. A transparência é o instrumento fundamental da democracia, que se espalha pelo Mundo, como nunca se espalhou. A transparência é a grande oportunidade gerencial do século XXI, porque promoverá, queira a rede de poder atual ou não, mais cedo ou mais tarde: i) a segurança humana de todos; ii) a parcimônia da eficiência global; iii) a globalização da Terra, como nossa casa, o Planeta Vida.

 

            O quadro V parece um elenco de princípios doutrinários. E não deixa de ser, porque ele representa uma síntese essencial de tudo que o DS.Brasil analisou até agora, em todas as suas curiosidades, artigos e estudos. As referências do parágrafo anterior já são sínteses, inclusive o presente estudo, que é uma síntese interpretada, gerencialmente, de tudo que já fora destacado por nós, sob outros aspectos: o monte de citações DS.Brasil, ao longo do texto atual e de suas notas, demonstram isto. O quadro V é uma síntese encadeada, que reduziu os desafios à sua essência executiva: a) a segurança humana, objetivo mínimo que se pode esperar para o desenvolvimento humano em sociedades tecnológicas, como qualquer uma pode se tornar, no decorrer do século XXI; b) a parcimônia, qualidade que se não for observada, os limites de nosso sistema Terra serão superados, situação em que catástrofes naturais de extensão global não podem ser descartadas, e o aumento de conflitos armados regionais e da violência interna, serão inevitáveis; c) a globalização, no sentido semântico do termo, como inevitável conseqüência da Era da Informação, que apenas se inicia, e já permitiu que nos tornássemos uma aldeia global[24], sem obstáculos para a nossa sobrevivência, a não ser nós mesmos (ver nosso artigo Globalização!?...). E com a transparência e o saber trazidos pela globalização, em seu sentido amplo, o quadro V se recicla, voltando de c para a e b, e chegando outra vez a c, e de novo... É o círculo virtuoso das sinergias positivas e difusas!!!...

            A transparência foi mais uma vez destacada, porque ela decorre do simples fato de que ninguém gosta de ser enganado, e como estamos na aldeia global, onde florescem as buscas pela democracia e pelo livre mercado... A Era da Informação e sua função globalizante favorecem a liberdade de escolha, que exige o conhecimento das verdadeiras opções que temos. O ótimo, que os economistas apregoam para o livre mercado como opção econômica, só existe, se não houver dominâncias que deformem as trocas envolvidas. A globalização econômica atual é uma deformação do livre mercado, que precisa ser corrigida; a globalização da sujeira é outra; o Mundo internacional é dominado por algumas empresas e alguns países, freqüentemente, em conluio. Os acertos furtivos entre os políticos e a rede de poder que os sustenta é um risco para a saúde da democracia, como sistema de governo. A transparência é fundamental para fazer da globalização, não um instrumento de retórica, mas sim, um imenso e livre mercado de trocas enriquecedoras, sem prejuízo dos mais fracos, que serão aquietados pela esperança, e não pela violência de quem pode. Enriquecer, prejudicando os mais fracos, que moram na mesma casa, é perversidade... Que a aldeia global saiba disto!!!...

            A transparência não é um desafio gerencial. Ela já é uma realidade. Em menos de 5 anos, os que lideraram a guerra do Iraque, estão “mais sujos do que pau de galinheiro”. A mais recente queda da arrogância guerreira dos poderosos foi a do primeiro ministro da Austrália, que reinava absoluto com o seu sucesso econômico, continuado e imbatível, sob todos os aspectos que se considere; mas, depois de mais de uma década de arrogâncias, como desconsiderar as necessidades reais dos aborígines, desprezar o Protocolo de Quioto, enviar australianos para a guerra, e outros fundamentalismos neoliberais, perdeu as eleições!... A mais recente curiosidade de um Mundo que se torna mais transparente, acabou de acontecer na “guerra contra o eixo do mal”, que apóia o programa nuclear indiano e condena os da Coréia do Norte e do Iran; o falastrão presidente deste país, nisto, só superado pelo presidente americano, deve estar muito feliz, porque a ONU descobriu que alguns governos hegemônicos arrogantes mentiam sobre a finalidade das instalações nucleares de seu país, como mentiram no caso do Iraque, ao justificarem a guerra que iniciaram. E o Bin Laden continua por aí, matando inocentes... E, às vezes, ele aparece na Internet...

            O primeiro artigo de cada um dos três temas DS.Brasil versa sobre a transparência e as violências, legítimas ou não, que decorrem da falta dela. Um deles, o nosso primeiro artigo conceitual A Fábula dos Três Humanos, mostra que os desafios destacados no quadro V são a síntese final da evolução das civilizações humanas, que se consolidará na globalização plena. O humano tecnológico descobrirá que o humano comum tem a mesma inteligência que a sua, e é capaz de manipular os mesmos instrumentos que os seus, basta inspiração e apoio para isto, furtivo ou não. O ser humano, a suprema evolução ecológica da natureza, já está descobrindo que a casa é pequena, e que custa caro, hoje, sufocar a voz dos desesperados. E que custará mais ainda, se o humano tecnológico demorar a descobrir, que foi a solidariedade do humano comum que o ajudou a ser o que é; a solidariedade que ele mesmo ainda não teve tempo de perder... A transparência e o saber, frutos da era em que vivemos, mostrarão que chegou a hora do humano solidário. Este, é uma contingência do Mundo atual, não adianta fugir dela!... Cedo ou tarde, todos descobrirão que a dissimulação e a mentira “têm tentáculos curtos”, e não conseguirão fugir da imensa teia de informações solidárias, que começou a ser tecida no final do século passado, ampliando-se, vertiginosamente, no início deste: o século XXI marcará a consolidação da Era da Informação[25]. O Mundo, hoje, é outro, sem retorno!...

            ... E o maior desafio de qualquer político honesto e de qualquer gerente cidadão é descobrir já, o quanto antes, que a transparência vale a pena, vale voto, vale dinheiro!!!...

 

3.2- Perspectivas para o século XXI

            O capítulo 3 do Paradigmas Mundiais de Desenvolvimento, especialmente o quadro III da seção 3.2, é uma síntese que poderia ser repetida aqui, como perspectivas mundiais para o século XXI. O mesmo se pode dizer, no âmbito dos países, nos capítulos 5 dos estudos sobre perfis prospectivos já realizados. Essas referências fundamentam esta seção final do presente estudo. Mas o nosso quadro V anterior sugere um outro enfoque, muito mais apropriado às pessoas que fazem as coisas acontecerem. Abordaremos apenas um cenário de alerta, porque o DS.Brasil não acredita que a humanidade supere os limites do bom senso, colocando em perigo tudo que alcançou até hoje. Porém, o mal já feito, e a inevitável demora em corrigi-lo, talvez posterguem um eventual e otimista cenário verde, para o próximo século. Uma coisa é certa, os verdes de nossos avós, e até os de nossa infância, não voltam mais. O verde do futuro pode até ser mais vistoso, mas não será mais aquele que a natureza nos legou, porque faltarão muitos e muitos genes, já extintos e que se extinguirão, ainda neste século, pela inércia do que já feito.

            Já vivemos o cenário amarelo de alerta, ainda clarinho, dificultando a percepção dos menos sensíveis à cor!... Vejamos isto, acompanhando os desafios do quadro V, na ordem nele apresentada:

            A) no último ¼ de século, nos países em desenvolvimento, o número de pessoas anualmente vitimadas por calamidades hidrometeorológicas cresceu de menos de 50 milhões, para mais de 250 milhões; nos países desenvolvidos, este número também cresceu, mas ainda se mantém na ordem de uns poucos milhões de pessoas. O risco de desastres naturais, medido pelo número de vítimas por habitante, mais do que dobrou, nos países em desenvolvimento, naquele mesmo período de tempo; ele é, hoje, da ordem das centenas de vezes maior do que o risco nos países desenvolvidos. E as previsões do IPCC indicam prejuízos ainda muito maiores para os povos mais pobres. E a segurança humana?!...

            B) A Índia e a China totalizam cerca de 40% da população terrestre, e são, respectivamente, os campeões e vice-campeões mundiais da extrema pobreza, no Mundo. Eles estão, hoje, batendo recordes históricos de desenvolvimento econômico continuado, e já superam os EUA, no consumo de vários produtos relevantes, e aproximam-se deste campeão em emissões de gases estufa. Mas os números per capita de seus consumos são ainda mínimos perto do que cada rico consome. As emissões de gases estufa de cada chinês são menos de 1/5 do americano, e a de cada indiano, quase 1/20[26]. Imagine o resto do Mundo indo pelo mesmo caminho... E a parcimônia?... Aí, só há uma solução racional e justa: cada rico diminuir o que consome, e cada pobre aumentar a sua cota, situando-se todos, dentro da faixa sustentável entre as emissões vitais mínimas e as de máxima tolerância. Do contrário, como diriam os ecofascistas: deixa morrer gente, é o princípio da sobrevivência do mais apto!!!???...

            C) O Conselho de Segurança da ONU tem 5 membros permanentes, com poder de veto: as quatro potências vencedoras da 2ª guerra mundial (EUA, França, Reino Unido e Rússia) e a China. Aqueles vitoriosos, junto com a Alemanha e o Japão, os principais derrotados, constituem, de fato ou por atavismos históricos, as potências hegemônicas mundiais. A China, antiga potência de poucos séculos atrás, acordou, e tornou-se candidata à hegemonia, pelo seu poder crescente e etnocentria milenar. A China e a Índia, ambas atômicas, são recentes e poderosas criações da globalização econômica, disputando a liderança da globalização da sujeira. O Brasil, o gigante tropical, social e historicamente hipertrofiado, só agora começa a se inserir no mundo econômico internacional, mas já ocupa lugar de destaque, há tempos, entre os campeões da sujeira; talvez seja o campeão da extinção de vida natural. Ninguém se entende na busca pela boa globalização. O Protocolo de Quioto, mais uma vez, fracassou...

            Face aos perigos do nosso cenário ficar um amarelo vivo, o DS.Brasil sugere o quadro VI, a seguir, como um guia gerencial de alerta e orientação para a GRN de que precisamos.

 

QUADRO VI: ACELERADORES DE CONVERGÊNCIAS PARA O DS

PAÍSES CHAVE

FOCOS E AÇÕES ESTRATÉGICAS ORIENTADORAS

EUA

Evoluir do estado atual de dominância internacional amedrontada, para o de liderança mundial transparente, inovadora e verdadeiramente liberal.

EUROPA E JAPÃO

Solucionar os seus desafios previdenciários e demográficos, através da evolução das posturas atuais conservadoras e discriminatórias, para posturas criativas e globalizantes, receptivas à imigração.

CHINA E ÍNDIA

Buscar soluções globalizantes, que substituam a auto-suficiência interna de recursos naturais, pela eficiência global enriquecedora, incluindo a emigração.

RÚSSIA E CANADÁ

Gerir as suas imensas riquezas naturais, que talvez aumentem mais ainda no futuro, demonstrando que a sustentabilidade vale a pena, porque dura mais e enriquece muito mais gente.

BRASIL

Otimizar o desenvolvimento nacional, através da sustentabilidade como critério de amadurecimento democrático e de gestão de seus vastos recursos naturais.

 

            O quadro VI, é uma ousadia DS.Brasil, para contornar a embaçada bola de cristal dos que buscam cenários futuros de sustentabilidade, para orientação de ações, no presente. O gerente preocupado com os recursos naturais precisa de luzes, mesmo tênues, que sinalizem caminhos, prioridades, questionamentos, oportunidades, e outras indicações que iluminem o terreno escuro e movediço do futuro, especialmente na busca por inspirações e novas estratégias. O quadro VI incluiu apenas os países decisivos para algumas ou muitas das soluções para o DS mundial. Ele destacou também, o caminho crítico das soluções para o DS, em cada um deles. Eventos ou atividades indicadoras da evolução de cada um destes caminhos críticos constituem alertas gerenciais para avaliações e busca de inspirações inovadoras. Os obstáculos mais difíceis a serem vencidos para a consecução do DS, em qualquer país do Mundo, não são técnicos ou científicos, mas políticos. O quadro VI reflete isto, para todos os países chave nele destacados.

            O nosso cenário de alerta tornar-se-á amarelo forte, por retardos incontornáveis de soluções, se os governos americanos persistirem em posições de dominância arrogante, em conluio com os interesses privados de sua rede de poder: a hipocrisia liberal tem que ser substituída pela transparência, para que o próprio povo americano saiba onde pisa. Se a Europa e o Japão continuarem perdendo competitividade, por envelhecer e persistir em temer um movimento imigratório enriquecedor, a boa globalização perderá muito com isto. China, Índia e qualquer país em desenvolvimento têm direitos a se enriquecer, mas a parcimônia exige conciliações, como destacado em B anterior, do contrário, o abuso dos recursos naturais escassos será um tiro no próprio pé. Rússia e Canadá estarão numa boa, exceto em cenários catastróficos, com efeitos ainda desconhecidos; por isto, mais vale a simpatia enternecedora, do que a ganância antipática. Do Brasil, já falamos muito, destacando as formidáveis oportunidades que a situação atual nos proporciona; se não acordarmos a tempo, perderemos, mais uma vez, “o bonde da história”... E o Mundo perderá junto uma imensa riqueza natural que os nossos solos, nossas águas e o sol, ainda nos dão!...

            Os capítulos 1 e 2 sugeriram ações para uma GRN adequadas ao Mundo de hoje, com a ilustração do caso brasileiro. Este nosso capítulo 3 foi mais pretensioso, ao sintetizar diretrizes e indicações focais globais. A visão e os alertas genéricos iluminam!... Mas o contexto e o gerente é que decidem!!!...

 


 

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[1] Esta última expressão foi inspirada em expressões análogas de Jack Welch, o lendário gerente da GE, que elevou a empresa à categoria de mais valiosa do Mundo, e aí se manteve, enquanto a dirigiu; estas e outras peculiaridades da liderança de Jack Welch estão descritas e analisadas em Slater, 1999. As qualidades e os desafios de um gerente dos tempos atuais são analisados, numa síntese única, em Drucker, 1999, preciosa obra de um dos pioneiros e mais prestigiados gurus da administração contemporânea. Neff et al., 2000, com muita propriedade, resumem um notável levantamento que realizaram, sobre o que meia centena dos maiores executivos do final do século XX pensam acerca das causas de seus sucessos gerenciais; esta síntese é um depoimento vivo da importância da liderança e suas características essenciais, que inspiram os vencedores, num mercado que se globaliza.

[3] Os aspectos éticos e morais são objetos de vários destaques da nota 2, anterior, constituindo ênfase central nos seguintes casos: curiosidades de 08/10/06 e 17/06/07, anteriores, e na de 22/07/07; no artigo Uma Análise Fria de um Futuro Quente, anterior, e nos adicionais, Efeito Estufa: Acorda Brasil!... e Clima: Estamos Fritos!?...; nas seções 2.2, 2.3 e 4.2 do estudo anterior As Funções Sociais da Natureza, e nas seções 3.3 e 4.2 e capítulo 5 do estudo adicional Perfil Prospectivo dos Estados Unidos da América.

[4] A seção 2.2 do XXI: o Século do Desenvolvimento Sustentável conceitua o enfoque dos recursos estratégicos, como ora adotado. A seção 2.3 do As Funções Sociais da Natureza discute a importância da biodiversidade como recurso, sob diversos aspectos relevantes. O capítulo 2 do Espaços Mundiais mostra uma aplicação do conceito de recursos estratégicos, como facilitador do entendimento da classificação de espaços geográficos adotada no DS.Brasil, e de sua importância geopolítica. O capítulo 2 do Paradigmas Mundiais de Desenvolvimento ilustra a situação do uso destes recursos em vários países do Mundo, mostrando quem é quem, quanto ao desperdício e à sustentabilidade; ele indica que o DS é possível, e mostra quem busca praticá-lo. Os capítulos 3 e 5, de qualquer estudo sobre perfis prospectivos de países, demonstram a importância de todos estes conceitos, em variados contextos do mundo real.

[5] O capítulo 2 do XXI: o Século do Desenvolvimento Sustentável mostra a visão sistêmica sobre recurso que o DS.Brasil adota em seus estudos, e sua figura I ilustra o assunto, destacando o aspecto fundamental dos recursos naturais, como base de todas as sinergias que devem ocorrer, para que o desenvolvimento humano se realize numa sociedade competitiva, em condições de livre mercado. As seções 1.2 e 3.1 a 3.3, deste mesmo estudo, justificam ser imprescindível contornar conflitos sobre recursos, para que o homem possa enriquecer, difusamente, e em paz; o artigo A Fábula dos Três Humanos é uma síntese delas. As seções 1.2, 1.3 e 2.1 do Anatomia das Decisões Humanas justificam e ilustram o sistema de redes como enfoque gerencial indispensável às instituições de sucesso atuais; na verdade, estas seções apenas consagram a interpretação do que pensam os grandes gurus da administração contemporânea, a exemplo do expresso nas obras citadas na nota 1 anterior. O trabalho de Tapscott et al., 2007 exemplifica como a WEB 2.0 tem contribuído para isto, apesar de recente.

[6] Inspiração em e texto transcrito de Silva et al., 2002.

[7] A idéia da tragédia dos bens comuns é lançada e discutida em Hardin, 1968; seu autor preconiza a intervenção direta do Estado na solução dos problemas criados. Os textos clássicos de economia ambiental discutem as condições institucionais para um uso ótimo dos bens comuns, através de variadas soluções de mercado, como em Hanley et al., 1997; em português, há interessantes sínteses de diversos autores sobre o assunto Margulis, 1990.

[8] A presente seção foi baseada em informações disponíveis nos domínios das instituições citadas no texto, e que podem ser acessadas através dos seus endereços eletrônicos, relacionados em nossas conexões úteis. Para tornar a leitura desta seção mais direta, abriram-se notas de fim de texto, apenas para as referências bibliográficas novas, mais relevantes, deixando-se de citar os vários estudos e artigos DS.Brasil, que fundamentaram as análises nela realizadas. Destacam-se entre estes, conforme os temas objetos do texto: i) os relacionados com o conceito do DS e suas dimensões, aprofundados nas seções 1.2, 2.1, 2.2, 3.1 e 3.2 do XXI: o Século do Desenvolvimento Sustentável, e nos artigos Hipocrisia versus Terrorismo e O Desenvolvimento como Esperança; ii) as afirmativas sobre o Brasil e outros países ou regiões explicitadas no texto, sem referências bibliográficas específicas, foram justificadas, de acordo com cada espaço geográfico pertinente: i) nos capítulos 2 e 3 do Perfil Prospectivo do Brasil e do Perfil Prospectivo dos Estados Unidos da América; ii) no capítulo 2 do Espaços Mundiais; iii) nos artigos Ideologia e Poder, Ciência ou Tecnologia?!... e China: o Despertar da Nação Multimilenar.

[9] Klare, 2002 historia a guerra por recursos, notadamente as relacionadas com o petróleo, através de farta pesquisa em documentos não publicados, e dos registros de idéias e afirmativas de autoridades, em entrevistas ou discursos diversos, contemporâneos das intervenções violentas realizadas pelas nações hegemônicas, no último século; o autor demonstra, que o uso da força é prescrito, claramente, em casos de risco envolvendo o suprimento de recursos estratégicos, a exemplo da doutrina Carter, paradoxalmente criada por um futuro prêmio Nobel da Paz... Vários autores em Sterba, 2003 analisam o terrorismo: seus conceitos, suas causas, os métodos usados ao combatê-lo e suas justificativas; os círculos viciosos dos conflitos permeiam todas estas análises, alimentados pela garantia de suprimento de petróleo às potências hegemônicas; alguns autores incluem as guerras de sustentação do Estado de Israel como providências cautelares.

[10] Apesar de seu conteúdo livremente estruturado e preenchido, e com destaques apropriados ao tema focalizado na seção em andamento, este quadro foi inspirado na filosofia geral de ajustes das ações às estratégias empresariais, exposta em Kaplan et al., 1997.

[11] Destacam-se entre elas: as curiosidades de 09/10/05, 16/10/05, 08/10/06, 29/10/06 e 17/06/07; os artigos Efeito Estufa: Acorda Brasil!..., O Brasil da Biodiversidade... e A Tragédia dos Bens Comuns!...; as seções 2.2 e 4.3 do Anatomia das Decisões Humanas, as 3.1, 4.2 e 5.2 do Perfil Prospectivo do Brasil, as 2.1 e 3.1 do A Perturbada Economia Brasileira, e as 3.5 e 4.1 do Projeto Brasil dos Brasileiros, com seus respectivos quadros. Os nossos próximos estudos sobre cada um dos temas DS.Brasil se aprofundarão mais nessas oportunidades de investimentos e compartilhamentos empresariais.

[12] Philippi et al., 2004 é uma interessante leitura, para qual contribuíram dezenas de especialistas, e que será útil para todos que desejam colocar-se a par dos principais aspectos relacionados com a gestão ambiental, em suas diversas especializações e destaques técnicos, sociais, econômicos e políticos.

[13] Expressão extraída da canção de Geraldo Vandré, que representou um hino exortando o povo a se libertar do continuado jugo militar; ela representa, no texto, uma sugestão à classe empresarial brasileira, que crie e ouse, em momento tão relevante para toda a humanidade, lutando pela prevalência das forças de livre mercado, contra o cartorialismo, a cooptação das autoridades públicas e a mesmice caudatária, que nunca nos abandonaram.

[14] O DS.Brasil realizará o estudo sobre o tema conceitos, Economia da Reciclagem, que se aprofundará no assunto.

[15] Este assunto, ainda abordado outras vezes no presente estudo, foi analisado, em termos gerais, na seção 2.3, e em termos sugestivos, nos quadros III e IV das seções 3.3 e 4.2 do As Funções Sociais da Natureza. A conservação da biodiversidade será objeto de nossos dois próximos estudos, um sobre o tema Brasil, A Conservação da Natureza no Brasil, e o outro sobre o tema Mundo, Oportunidades Mundiais para o Desenvolvimento Sustentável.

[16] Rose-Ackerman, 1999 estuda, em profundidade, diversas situações institucionais e eventuais que favorecem à corrupção, nos diferentes níveis de desenvolvimento e maturidade nacional dos países analisados. Ela indica como combatê-las, mas destaca as dificuldades envolvidas nisto; ela enfatiza que reduzir o arbítrio, as regras e as proibições, ao mínimo indispensável à consecução do que se deseja, é condição essencial ao sucesso anticorrupção.

[17] A abordagem racional das ciências sociais, onde se inclui a economia, é analisado, em profundidade, por Flyvbjerg, 2001. O autor destaca o grande sonho dos cientistas sociais, na busca por modelos teóricos que expliquem o que estudam, e sirvam como norteador de novas descobertas, a exemplo do que ocorre na física e na química. Com isto, segundo ele, prejudicam-se os desenvolvimentos heurísticos, com base no conhecimento dos especialistas e de muita pesquisa contextual e trocas de experiências, que justificariam, com mais fortes razões, a classificação dos estudos sociais como ciência.

[18] Dias, 2003 historia a evolução da educação ambiental no Brasil e no Mundo, destacando seus aspectos como instrumento de penetração difusa do DS, por todos os segmentos sociais que despertaram para o conhecimento, como forma preferencial de realização individual e coletiva.

[19] Gilpin, 1995 é uma bem estruturada abordagem das AIAs, em seus principais aspectos históricos, técnicos, econômicos e institucionais; ela se estende, com diferentes profundidades, pela maioria dos países desenvolvidos mais importantes, e por vários países relevantes da Ásia. Wood, 1995 é um interessante estudo comparativo entre os aspectos normativos e práticos das AIAs dos mais importantes países de língua inglesa, incluindo a Holanda; o autor dedica um apêndice para os países em desenvolvimento e a aplicações internacionais. No Brasil, Ribeiro, 2004 é uma interessante síntese sobre o assunto, em seus variados aspectos evolutivos, técnicos e institucionais.

[20] A indústria dos EIA/RIMA foi pioneira e ilustrativamente discutida em Milaré et al., 1993. A calamitosa situação das questões ambientais brasileiras, face à nossa realidade econômica, social e política, e ao DS, como previsto em nossa legislação, foi abordada, com mais detalhes, no capítulo 4 do Perfil Prospectivo do Brasil, e nas seções 3.2 e 4.1 do Projeto Brasil do Brasileiro.

[21] O Brasil realizou, no decorrer da década de 90, um extenso e interessante estudo sobre a integração nacional e internacional dos eixos viários brasileiros, atuais e previsíveis; nele se estudam as possíveis integrações internacionais via Amazônia, inclusive a energética, com base nos aproveitamento regionais, com destaque para o petróleo e gás do sudoeste amazônico; o DS.Brasil tem arquivo pdf de partes deste estudo, antes disponível na Internet; é um arquivo extenso, e o leitor que desejar algo específico, solicite-nos pelo faleconosco@ds.brasil.nom.br. Outras integrações viárias são cogitadas na Amazônia sul-americana, e podem ser vistas no sítio da IIRSA – Iniciativa para a Integração da Infra-estrutura Regional Sul-Americana, www.iirsa.org. Há, no sudoeste amazônico, um movimento comunitário trinacional, o MAP – Madre Dios/Acre/Pando, que se preocupa com o uso sustentável dos recursos naturais regionais, e promove expressivos encontros sobre o assunto, há vários anos; trata-se de uma admirável iniciativa visando o DS; contactos através de www.map-amazonia.net.

[22] Tomich et al., 2004 são uma excelente síntese sobre o estado da arte dos conhecimentos sobre as funções das florestas tropicais, destacando o muito que necessitamos saber ainda, para a adequada avaliação da importância antrópica delas. Nepstad et al., 2007 são uma interessante abordagem metodológica para a avaliação de serviços ambientais associados à Amazônia brasileira; este estudo resultou de parcerias entre instituições nacionais e a prestigiada ONG internacional WHRC. Ver MAP, na nota anterior.

[23] Há vasta literatura sobre os caminhos em busca do DS, tanto no âmbito dos livros especializados, como no das boas revistas e outros periódicos. A internet é um formidável mundo de informações para o DS, em seus mais variados aspectos. Todas as referências de nossas conexões úteis possuem muitas informações preciosas para qualquer gerente dinâmico que lide com a GRN, em busca de sustentabilidade: dispor delas, sem objeções, foi o nosso critério essencial de seleção. Colocamo-nos à disposição dos que desejarem saber alguma coisa específica sobre o assunto tratado, em faleconosco@ds.brasil.nom.br.

[24] Conceito de M. McLuhan, comparando o Mundo com uma aldeia, onde todos podem se comunicar uns com os outros; o autor interpretava, nos anos 60, as revoluções já ocorridas até à época, nos meios de comunicação!... Os bons dicionários já consagraram a expressão, em seu significado original.

[25] A expressão entre aspas é uma livre interpretação para o tradicional provérbio popular, de que “a mentira tem pernas curtas”, o que equivale ao outro provérbio de que “ é mais fácil pegar um mentiroso do que um cocho”. Na realidade do Mundo atual, quem não tem transparência naquilo que a sociedade espera que se tenha, dissimula ou mente, e logo cai na rede eletrônica da aldeia global... E se não tiver tentáculos!...

[26] Estas informações e as apresentadas em B anterior, resultaram de interpretações dos dados de UNDP, 2007.